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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2011 MISSÃO HAJJ

Trabalhadores fazem a manutenção da Red Fort
New Delhi, 11/2011
 
ILORI, NIGÉRIA
Celso de Lanteuil
13/11/2011
 
Não para de sangrar
Não para de sangrar
Nas ruas, nas calçadas
Nas estradas

Não para de doer
Não para de doer
Nas escolas, nos quartéis, nos matagais
Onde ninguém consegue ver

Não para de esquentar
Não para de esquentar
Pele, corpo, sangue
Pensamentos

Não tem pra onde ir
Não tem pra onde ir
Escava, transpira
Esgota, esquece

Não há como ficar
Não há como ficar
Apanha, levanta
Apanha e foge, se conseguir
 
New Delhi, a bicicleta que não pode parar


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

2011 VARIG

imagem divulgada na internet

VARIG
Celso de Lanteuil
Rio, 01/08/2011

Meu avião quebrou!
Partiu em pleno ar
Das minhas costas
saíram duas asas
Que me fizeram atravessar o mar
Que me fizeram atravessar o mar

Fui navegar noutras fronteiras
Meu avião desapareceu em terra
Sem a estrela pioneira pra guiar
Deixou meu povo confuso
Corações dizendo adieu, adios, good by

Meu avião sumiu
Entre tribunais e golpes surreais

Deixou meu país sem direção
Sem a estrela brasileira nos céus
O Icaro se foi
 
Minha aeronave mudou de cor
A Rosa dos Ventos a safadeza levou
Doaram rotas, a frota, prédios, lojas, a marca, funcionários
Apagaram a história, enterraram nossas pensões e indenizações
Nosso avião não voa mais...

 

 

 

 

 

2011 MOSCA


                Trabalho de artista plástico apresentado na Fundação Serralves
                                             Porto, Portugal, no ano de 2009

MOSCA
Celso de Lanteuil
Rio, 05/09/2011
Homenagem a Paulo Mosca

Zumbiu
Zumbiu
Passou batendo asas
Sem saber se iria voltar

Zombou
Zombou
Sem rota certa
Foi e ninguém mais viu

Nasceu
Cresceu
Em 24 horas
Não morreu

Olhou e viu
Nas várias linhas de resolução
Enxergou em partes
Pulsando o coração

Olhou
Voou, voou
Sem proa certa
Foi e desapareceu

Brilho de uma vida que não fica
Como a Estrela que um dia se desliga
Não sabe se prossegue
Ou faz o caminho de volta novamente

Entende que o afeto
É a teia que acolhe
Entrega-se no olhar
Não tem tempo a perder

Recolhe as asas
Antes do amanhecer
Deixa um Adeus
De quem em 24 horas muita coisa viu

2011 PARA VOCÊ

Mãe cuida do filho em Old Delhi, 11/2011
PARA VOCÊ
De mãe para filho
Celso de Lanteuil
26/01/2011

Todas as minhas irritações
E as palavras ácidas
E o quanto eu te incomodei
Desde a primeira hora

As insistentes lembranças
Os constantes toques
E as repetidas dicas
As muitas ordens, razões e perguntas.

Coloca uma camisa!
Faz frio e você pode pegar uma gripe
Já escovou os dentes?
Quer um copo de leite?

Quando grito vai tomar banho
Ou pergunto, já fez o trabalho da escola?
E relembro outra vez, cuidado com as más companhias
Com o vento, com a correnteza e a maré alta

Nessas minhas chatices diárias
Nessa minha  preocupação sem fim
Para cuidar e proteger
Eu me perco todos os dias

Não sei acertar
Sou exagerada
Excedo nos abraços e beijos
Nos mimos e prendas

Ao cortar suas unhas
Preparar seu jantar
E escovar teu cabelo
Pois só penso em te abraçar

E, se não consigo falar sobre cinema, futebol ou games
Porque só sei proteger, recomendar, proibir ou ensinar
Todo dia, forte, fundo, pra valer
É porque cuidar de você, é o que me dá prazer


2011 HOMENAGEM A MANO MELO

HOMENAGEM A MANO MELO
Bienal do Livro do Rio de Janeiro
Celso de Lanteuil
Rio, 03/09/2011

Quem conhece as estradas
E visitou os céus
Já caminhou nas pedras
Banhou-se no além mar

Quem recitou poemas
Amou Marias e Madalenas
Escreveu prosa e sorriu
Para a platéia que o aplaudiu

Aquele que rolou na areia
Dançou quadrilha e rock and roll
Beijou Madona e Ana Bolena
Correu no asfalto e pirou

Não pode ser coisa pequena
Não pode ser coisa qualquer
É eucalipto, é cachoeira
É alma azul, é Mano Melo

2011 ELIZABETH TAYLOR

Pintura de Andy Warhol de Elizabeth Taylor
Centre George Pompidou, Paris, 02/2012
 
ELIZABETH TAYLOR
Celso de Lanteuil
23/03/2011
 
Elizabeth Taylor
Não morreu
Mesmo assim
Os amantes do melhor cinema choram
 
Ficamos mais feios
Sem dúvida
A reencarnação de Cleopatra deixou-nos
Partiu a beleza mais enigmática de Hollywood
Foi encontrar-se com Chaplin, Fred Astaire, Ginger Rogers,
Humphrey Bogart, Marlon Brando, Vivien Leigh, Sinatra, Kelly...
Ela fez a fantasia enganar a vida
Seus olhos seduziram jovens
 
Iluminaram trilhas esquecidas
Lyz Taylor deixou o glamour da cinematografia
Eternizado
Neste instante lê o seu novo roteiro

Lyz é desse tipo, não pode parar
Se ela para, paramos todos
E ela sabe disso
Take 76, 77, 78, 79. Action

2011 O MASSACRE EM UMA ESCOLA

O MASSACRE EM UMA ESCOLA
Celso de Lanteuil
07/04/2011

Ninguém sabe a razão
Bullying, DNA ou rejeição
Nenhum amigo ou namorada
Isolamento e solidão
Na internet alimentou
Seu sonho de redenção

De um lado separou
Os puros dos impuros
Do outro colocou
Sua fé acima da razão
Planejou uma palestra
Com uma pistola em cada mão

Treinou e preparou sua missão
Frieza e muita munição
Sua loucura liberou
Puxou o gatilho sem compaixão
Matou o sonho de meninos
E de meninas

Plantou o medo nas escolas
Em Realengo e em toda nação
Sua motivação de algoz
Matou a esperença
Doença de todos nós?
Bullying, DNA ou rejeição?