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sábado, 31 de dezembro de 2011

CENSURA

CENSURA
Celso de Lanteuil
01/01/2012

Já havia colocado no meu blog
Meu irmão me alertou
Eles tem um serviço de informações muito bem organizado
E se você ainda pretende trabalhar, acho melhor rever o que escreveu

Ele está certo
Devo me calar
Tem coisas que é melhor ver e delas não falar
Porque nada se ganha ao enfrentar quem pouco tem a perder

Mas é uma merda ficar calado
Enxergar
Ver nas minúcias e deixar para lá
Por medo deles te pegarem

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

AS VACAS NA ÍNDIA

AS VACAS NA ÍNDIA
Celso de Lanteuil
Índia, 07/12/2011
Para musicar

As vacas na Índia pastam perto de você
As vacas na Índia pastam perto de você

Na porta de casa
Ao lado da escola
Na beira da estrada
Diante da loja de calçados

As vacas na Índia são sagradas
As vacas na Índia podem viver

Mas o povo pode comer búfalos
Mas o povo pode comer camelos

As vacas na Índia pastam perto de você
As vacas na Índia pastam perto de você

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TAJ MAHAL

TAJ MAHAL
Celso de Lanteuil
Agra, 08/12/2012


O amor muda destinos
O amor atravessa paredes e divide estados
Afasta filhos de pais
Leva povos a guerra e faz a paz

A perda do amor construiu o Taj Mahal
O filho mais novo de Shan Jahan matou seus dois irmãos
O do meio e o mais velho, este o predileto do pai
Que foi mantido em prisão domiciliar até o último suspiro

O amor muda destinos
E cega os homens
O pai construiu o Taj Mahal por amor
Viu o filho, por amor ao poder, matar seus outros irmãos e o prender

LOGO ALI

LOGO ALI
Celso de Lanteuil
Delhi, 05/12/2012

Não muito longe daqui
Se olhar com atenção logo ali
Vive um resto de homem
Um trapo sem rosto, sem nome

Não muito longe daqui
Se olhar com atenção logo ali
Vive um pedaço de corpo
Sem voz, sem sonho, sem sono

Não diga que você não sabe
Não diga que você não viu
Não diga que não está nem aí
Que isso não tem nada com você

Ele saliva só de imaginar, abana o rabo só para agradar
O bicho não late, não rosna, não morde você
Ele não é lenda, não é ficção
O bicho é o homem! O bicho é o homem!

NOVAMENTE GURGAON, DELHI, ÍNDIA

NOVAMENTE GURGAON
DELHI, ÍNDIA
Celso de Lanteuil
23/11/2011

Esta é a terceira vez em uma semana, que venho a Gurgaon, Indira Ghandi International Airport. Foram duas aproximações CATIIIA e uma CATII. Para aqueles não familiarizados com a terminologia comum ao meio da aviação, tratam-se de dois tipos de procedimentos para pouso por instrumentos de precisão. São normalmente efetuados quando a visibilidade e a camada das nuvens atingem valores mínimos para se realizar um pouso com segurança.

Os fenômenos naturais mais corriqueiros para estes casos são os nevoeiros, as nuvens associadas a chuva e de efeito orográfico. No caso de Delhi, o fenômeno não é provocado pela natureza, essa é a principal diferença. Ali temos o smog, abreviatura do inglês referente a smoke e fog, mais conhecido no meio meteorológico como nevoeiro de fumaça. Neste caso particular, resultado da poluição causada pelos transportes terrestres, fabricas locais e estilo de vida dos habitantes desta região.

Não gostaria de julgar Gurgaon pelo que tenho visto e respirado, principalmente porque seu povo é de uma simpatia e generosidade marcante, mas é uma tristeza constatar que o caos dessa cidade sufoca, fede e adoece. Haverá esperança para Delhi?

VIAJAR

Algum lugar entre a Holanda e Turquia, 2013
VIAJAR
Celso de Lanteuil
HAJJ, 19/11/2011
 
Eles querem viajar
Cada um escolhe um lugar
Eles querem viajar
Não importa se Agra, Tiradentes ou Charlerois

Eles querem mudar o olhar
Enxergar o que está além mar
Ver os prédios tocarem o céu
E molhar os pés nos igarapés

A malta quer fazer a mala
Colocar na sacola um biquine
Um casaco para o inverno que chega
Sua mais nova máquina de fotografar

Eles querem embarcar
Pode ser por terra, mar ou ar
Pegar a barca para Paquetá, um Ryanair para Beauvais
Um comboio para o Campanhã

Eles querem viajar para se reencontrar
Dividirem momentos, histórias, fotografias e abraços
Para celebrar o Natal que passou
O desejo esquecido

Eles querem viajar
Cada um escolhe o lugar
Eles precisam
Não importa se Agra, Tiradentes ou Charlerois

PEREGRINOS RETORNAM DE AVIÃO




PEREGRINOS RETORNAM DE AVIÃO
Celso de Lanteuil
14/11/2011

Eles voltam de Medina. Estiveram em Meca
Foram abençoados. Estão revigorados
Fazem o check in nessas cidades, mas embarcam em Jeddah
Cinco, sete, dez horas depois chegam ao avião

Retornam para Ilori se Nigerianos
Ou Nova Delhi se Hindus
Vestem indumentárias regionais
Carregam bolsas grandes, casacos, sacolas de plástico e água sagrada

Estas vem acondicionadas em garrafas térmicas, tipo pet ou galões
São em sua maioria muito humildes e educados
No vôo para Ilori as mulheres embarcam separadas dos homens
Estes chegam por último

Embarcar com a água sagrada é proibido
Costumam banhar-se com estas a bordo
A cabine do avião fica em estado lastimável
Daí a razão da proibição

Eles sofrem ao deixarem suas “zam zam water” seguir no porão de carga
Imploram. Balbuciam palavras imcompreensíveis
Cujo sentido diz “protejam a minha água”
“façam chegá-la até minhas mãos”

Os Nigerianos cantam, são alegres e brincalhões
Os Hindus em sua maioria são bem velhinhos
Tem os rostos pálidos iluminados de esperança
É a promessa de que terão suas águas de volta

Eles se acomodam nas poltronas assustados e muito cansados
Após 16, 20 horas, chegarão ao primeiro destino
Depois enfrentarão muitas outras horas de viagem
Sabe-se lá por que meios e dificuldades. Agradecidos eles rezam