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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

IMAGINAÇÃO E ARTE

Artistas e instrumentos da imaginação

imaginação
Celso de Lanteuil
Porto-Rio, 31 de Janeiro de 2012

A imaginação é a porta para o impossível


PESSOAS

Fotografia tirada sem flash. Pintura de Fernand Léger, 1939, óleo sobre tela
Centre George Pompidou, Paris, Fevereiro de 2012
 
 
PESSOAS
Celso de Lanteuil
Centre Pompidou
Paris, 18 de Fevereiro de 2012

Conheci muitas pessoas
Elas me pareciam ser de um jeito
Do jeito que eu conseguia lhes ver

Corajosas. Lutadoras
Éticas. Geniais
Amigas para qualquer circunstãncia

Competentes
Inteligentes
Sedutoras

Eu encontrei muitas pessoas por onde andei
Na infãncia nós sonhamos juntos
Quando adolescentes ousamos e descobrimos lado a lado

Gozamos. Choramos
Ganhamos e perdemos muito parecidos
Assim pensava

Mas quando cresci e ajudei a construir uma família
Descobri melhor certas diferenças
Existem pessoas que são para a vida inteira

CERTEZA

Yuri presta homenagem aos mortos nas primeira e segunda guerras
Bishop's Stortford, 11 de Novembro de 2007

CERTEZA
Celso de Lanteuil
Place de Vosges
Paris, 16 de Fevereiro de 2012

Nem todas as linhas
Nem todas as rimas
Nem sempre as esquinas
Os laços, os traços
As bordas, os passos

Nem mesmo intenções
Abraços ou palavrões
Até as idéias
As boas e más
Até as palavras que fazem ou não

Nem mesmo os teus olhos
A tua emoção
Sua boca, seus beijos
Nem a minha fé, sua vontade
A minha vergonha, tua lucidez

Nada, nada. Nada pode. Nada faz
Nem o ceú. Nem a luz
Mesmo Deus, mar ou bilhão de riqueza
Ouro, poder
Nos tira o destino, de viver e morrer


Homenagem aos mortos da primeira grande guerra
Em destaque o nome de um antepassado do meu avo Duilio
Rota Greca, Calabria, Italia, terra de mio nonno, Setembro de 2009 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

EM MEMÓRIA DA DINDA ZELIA


O cantinho da Zelia
Dinda esse espaço será sempre seu

DINDA DE TODOS NÓS
Celso de Lanteuil
Rio 04/02/2012
Existem maneiras de viver
Quem já teve a Dinda sabe
Quem não teve, perdeu...

Com medo ou pressa
Ignorando, choramingando
Resmungando
Desconfiando, enganando

Muitos articulam, inventam
São rigorosos, buscam a perfeição
Reclamam, fogem, invejam
Não olham, criticam, não toleram

Existem maneiras de viver
Quem já teve a Dinda sabe
Quem não teve, perdeu...

Entre garrafas, festas
Cigarros, bares, ilusões
Tudo pela sua necessidade 
E salvação

Só enxergam sua razão 
Nunca estendem a mão
Não dividem o tempo
Nem doam sua melhor emoção

Existem maneiras de viver
Alguns sabem doar, amar e proteger
Quem já teve a Dinda sabe, quem não teve, perdeu...

REFLEXÔES 2

CALÚNIA
Celso de Lanteuil
Porto-Rio, 31 de Janeiro de 2012

A calúnia faz estragos
É um tipo de dano que machuca de modo covarde
Regra geral ela é feita às escondidas contra quem se encontra vulnerável ou indefeso
É um recurso baixo quando feita por alguém que nos é próximo e visa atingir amigos
Contra a calúnia, só os amigos de verdade

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

REFLEXÔES

DIFICULDADE
Celso de Lanteuil
Porto-Rio 31 de Janeiro de 2012

Tenho grande dificuldade de tratar assuntos sérios. As questões éticas me incomodam profundamente, apesar de me faltar diversos atributos nesta área. O desrespeito ao próximo, a censura, a covardia, a tortura, o preconceito, seja de que espécie for, me levam para um sentimento de tal intensidade, cujo resultado é a contração do pescoço, ombros e maxilar.

Gostaria de encontrar nestas ocasiões um ponto de equilíbrio em que essa indignação não fosse tão intensa, mas raras vezes tenho conseguido sucesso nesta questão. Por isso preciso tanto da música, de ler um bom livro, de andar de bicicleta, mergulhar em mar aberto, assistir um filme de Almodóvar, Woody Allen ou Tarantino, fazer amor com minha mulher, passear com meus filhos, rir com meus amigos. Do contrário, viro bicho faminto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PARA LEMBRAR DE VOCÊ

           A autora Ninfa Parreiras segura um exemplar de Vermelho Amargo
                                   Sentado Bartolomeu Campos de Queiróz
                                       homenageado na FLIST autografando 

PARA LEMBRAR DE VOCÊ
Celso de Lanteuil
FLIST, Rio de Janeiro 14/05/2011

Finalmente conheci o Bartolomeu Campos de Queiróz. Venho escutando esse nome fazem muitos anos. Minha amiga Ninfa tem o autor no mais elevado conceito. Ele é o Cosmos! Foi emocionante escutá-lo falar sobre o fantasiar e o viver. Vive melhor quem fantasia, como disse o escritor. O ontem e o futuro só existem na imaginação do presente que logo se transforma em passado. Portanto existir sem fantasia é vazio, indolor, translucido. Daí a importância do sonho na escrita e consequentemente na formação da cidadania. A escola que pretende transformar informação em autonomia deveria exercitar o ato da inventividade, porque a ação do sonhar é libertadora. Sem a fantasia estagnamos e petrificados nos tornamos estátuas vivas. Assim falou a voz lúcida de Bartolomeu.


SOBRE VERMELHO AMARGO
Obra de Bartolomeu Campos de Queiróz
Um outro nível de escrita
Nova Delhi, 15/11/2011

Essa madastra possui um jeito próprio de cortar o tomate. Por vezes o menino percebe que a faca afiada não servirá apenas para fatiar. Ao observar o rosto dela, suas feições tensas que ocultam emoções, e ao acompanhar o movimento de ir e vir da mão que segura a faca, realiza que uma distância enorme as separa. Mãe e madrasta. Percebe quão diferente são. Vermelho Amargo é um relato poético sobre sentimentos intensos, onde a melancolia estabelece as motivações e o observar das coisas pelo olhar do menino. O sofrimento da perda da mãe ainda muito cedo. O medo da madrasta. Os segredos do amor e das mentiras necessárias. Os pecados e as culpas... A mãe, o jeito de preparar a comida e cuidar. O amor, tudo para sobreviver. O irmão triturador de vidro. O gato da irmã que não miava. A cicatriz na testa da irmã mais velha que mais tarde fugiu do tomate, parou de bordar e escondeu o amor. A mulher que era duas. A bruxa e a fada. Tudo relatado com precisa maestria e uma dor difícil de se apagar.