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terça-feira, 22 de maio de 2012

DIABO

Bomba que caiu no Santuario di San Francesco di Paola, Calabria
Por alguma razão não explodiu
DIABO
Celso de Lanteuil
Lisboa, 28 de Abril de 2012
 
Que o Diabo existe, isto sabemos que sim. Se possui chifres e rabo, já é outra história. Por vezes chego a pensar que aqui na terra seus seguidores já são maioria. São as notícias dos jornais e as cenas do cotidiano que me fazem pensar dessa maneira. A lista de eventos é vasta e de conhecimento de qualquer pessoa que tenha um pouco de humanidade no coração. Basta ser um observador atento dos acontecimentos e das pessoas, para se verificar que a popularidade do capeta aumenta. Guerras, corrupção, sofrimento, holocausto, preconceito, ódio, inveja e a lista parece não terminar.
 
Como já disse inúmers vezes, para Deus deixar como está, é porque tem problemas maiores para resolver. Mas se Deus é justo, misericordioso e tudo é capaz, não entendo porque ainda não trouxe a paz e o equilibrio para aqueles que vivem na terra? Afinal, Deus não deseja o sofrimento de ninguém, inclusive não quer ver o Diabo chorar. Que dilema tem Deus em suas mãos. Será que passou todo esse tempo a refletir e até o momento não encontrou uma justa solução para este caos em que se meteu a humanidade? Será que essa indefinição ainda vai durar muito tempo?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

SUGADOR DE ALMAS

Old Town, New Delhi
Na porta de um templo
Foto autorizada

SUGADOR DE ALMAS
Celso de Lanteuil
Comboio Porto-Lisboa, 04 04 2012 
 
Cuidado!
Garras podem tocar seu pescoço
Forças podem sufocar tua voz
Vampiros sugadores de alma podem sugar sua essência
Deixá-lo anestesiado, sem sentido, indefeso
 
O veneno do mal pode estar dentro de você
Das suas revoltas e desapontamentos poderá surgir uma pessoa amarga
E agressiva
Essa violência poderá voltar para aqueles que mais ama
Não culpe alguém por aquilo que você é, faz ou vive
 
Entenda o porque das suas aflições
Compreenda e aceite que as pessoas são diferentes de você
Sonham a felicidade de uma outra maneira
Sofrem por motivos que não os seus
Desejam coisas que não lhe interessam
 
Não tente fazê-las caminhar na sua trilha
Vibrar com os seus projetos
Admirar aquilo que lhe faz ficar impressionado
Se elas rezam para um outro Deus e desse modo encontram a paz
Deixe-as seguir na sua vocação
 
Se elas tocam a relva e choram
Ou se encontram motivação na prostituição
Tente olhar com cuidado aquele que é levado para uma ou outra situação
Lembre-se do que tens, daquilo que lhe trás alegria e conforto
Dor e desamor
 
Não abandone os seus ideais
Mas permita-se o exercício da tolerância
As pessoas só podem lhe oferecer aquilo que sabem
Sobre o amor, a auto-estima
O respeito e a liberdade
 
 
Red Fort, New Delhi
Foto autorizada
Um simpático e educado guarda orienta turistas
Niki de Saint Phalle (1930-2002)
Crucifixion, 1965
critica de época da representação convencional da mulher
Centre George Pompidou
A OUTRA
Celso de Lanteuil
Porto, 21-05-2012
(hora do lanche)
 
Ela é uma bota de salto fino
Um casaco com gola alta e botões largos
Ela é uma bolsa amarela
Um lenço de seda que ornamenta e aquece
 
Ela é o óculos escuro preso aos cabelos
O brinco, a pulseira, as unhas pintadas
Os lábios vermelhos do batom
Nua, ao banhar-se, ela é a outra que não quer ver

SOMOS ASSIM

Escultura em forma de banco
Feita de armas usadas na guerra da libertação de Moçambique 

SOMOS ASSIM
Celso de Lanteuil
Paris, 25 de Fevereiro de 2012

O homem ainda se organiza de maneira desequilibrada e precária por causa de muitas coisas. Há vários fatores que determinam esses desequilíbrios. Daqueles que nos caracterizam, o egoísmo, a ganância, a estupidez e o instinto de sobrevivência, estão entre estes. Aqueles que representam o Estado e o povo, em maior ou menor grau, tem a capacidade de promover ondas de mudanças que podem ser positivas, ou não.

Mas somos humanos, com várias aptidões e características. Muitos de nós tem a vocação para o consumo. Estão sempre famintos e engolem tudo o que podem, através de uma interminável gula, sede e irresponsabilidade. Se empanturram com aquilo que precisam ou desejam possuir. Não querem saber se o resultado das suas praticas, destrói o planeta e a vida que por aqui transita. Estão se lixando para com os outros e o dia que virá. Querem o seu, agora e isto lhes basta. Há muitos desses tipos por aí, que se apresentam em diversos formatos.

Os que pensam tudo poder comprar. Os que acham ser capazes de oferecer todas as respostas. Aqueles cuja vaidade não lhes permite enxergar os seus próprios erros e incompetência. Os gulosos que precisam de sempre mais. Há tipos piores que combinam traços de egoísmo, ganancia, muita vaidade nas veias e a idiotice do invejoso do Zé Ninguém, que Wilhelm Reich tão bem descreveu. Esses tipos ignoram o significado de se viver em comunidade e em paz, respeitando as diferenças e tudo indica, são vocacionados para destruir.

Na sua fraqueza de carater, avançam com sua infinita indiferença e falta de empatia para com o sofrimento do vizinho. Suas principais virtudes são a sede e a fome de ter. Negam o bem comum. Desconhecem a solidariedade e precisam ter sempre mais!

Temos ainda em escala crescente, um outro grupo. Este merece especial atenção. Na sua escalada pela sobrevivência, seguem destruindo o que encontram pelo chão. Eles precisam subsistir ao novo dia que se aproxima. São os que em seu desespero lutam por um alimento qualquer, pela água e o abrigo que lhes faltam. Falta-lhes tudo.

Somos assim. Todos esses. Diferentes e iguais, que poderíamos estar em lugares trocados, mas não estamos. E nessas nossas diferenças, caminhamos atropelando aqueles que interrompem o nosso caminhar. Mesmo sem direito compreender o por que. Mesmo sabendo exatamente aquilo que queremos e iremos fazer.


Dinheiro da destruição 
Uma tradição antiga que parece não ter fim
Fortaleza na cidade de Maputo

VOZ IMAGINÁRIA

Local onde os presos políticos de Tarrafal
faziam suas necessidades
foto de arquivo Abril de 2012
 
VOZ IMAGINÁRIA
Celso de Lanteuil
 
Inspirado nos depoimentos de presos políticos
Campo de Concentração de Tarrafal
Ilha da Praia, 10 de Abril de 2012

Estou preso
Prisioneiro no Campo de Concentração de Tarrafal
Ilha da Praia, Cabo Verde
Preso e não sei por que, ou sei?

Escapar da dor é fácil para quem não a sente
Por isso preciso que não esqueçam
Mesmo que seja eu
Essa voz imaginária a dizer

Aqui tentam me isolar do mundo
Esperam que eu perca a noção de que existe vida
Vida do outro lado das celas e muros
De que a liberdade é algo possível e está bem próxima
 
Entre nós fortalece a esperança de que este pesadelo acabe
Que possamos voltar às ruas sem medo
E caminhar ao lado das nossas mulheres, filhos, familiares e amigos
Sabendo que não haverá outro Tarrafal
 
Lisboa Fevereiro de 1978
Tarrafal nunca mais!
Multidão acompanha os restos mortais de portugueses
mortos no Campo de Concentração de Tarrafal
foto da exposição 

domingo, 11 de março de 2012

PARIS

CLAVICORDE o precursor do piano
peça provavelmente do Século XVI
mesmo período em que o Brasil era descoberto pelos portugueses
Cité de la Musique, Paris

PARIS
Celso de Lanteuil
Paris, Place Des Vosges
18 de Fevereiro de 2012
 
Quero beber sua tradição
Comer seu coração
Tocar suas vielas e calçadas seculares

Sentir a força da sua história
Sentar nas mesas dos seus cafés
Observar pessoas

Do cotidiano, respirar seu ar
O perfume dos jardins
Imaginar seu passado

Experimentar o agora
Saber da sua gente, gostos e prazeres
Compreender o que és e para onde pretende caminhar

Quero entender por que choras quando deveria sorrir
Por que celebras na hora que deveria calar
Ver através dos seus pintores a arte do outro olhar

Descobrir que o prazer
Pode estar no calor de uma baguete
No aroma de um café

No sorriso de um casal
Na poesia que liberta
E nos instiga a agarrar o céu

Exposição de alguns dos seus mais de mil instrumentos
Cité de la Musique, Paris

IGUAIS

Morador de Antananarivo usa da criatividade
para proteger o telhado de um possível ciclone
IGUAIS
Celso de Lanteuil
Antananarivo, 11 de Março de 2012

Sou igual a você
Nem pior nem melhor
Pode ser que faça gols
E ganhe milhões
Dez, cem, milhares de vezes mais

Que saiba astronomia, física quântica, química
Entenda como poucos da alma dos homens
Consiga escalar o Evereste
Só, atravessar o mar
Fazer mágicas, ser comediante, professor...

Sou igual a você, sabendo quatro idiomas
Fazendo um belo salto triplo
Ganhando uma medalha olímpica por isso
Pousando um Boeing 767-300 em Antananarivo
Sendo Maestro, Cirurgião ou escultor

Sou igual a você
Tanto pelo que sei, quanto pelo que não sei
Pelo que posso desejar
Por aquilo que não consigo realizar
Pela alma, credo e cor, pelo que tenho comigo de amor

Igual em muitas outras coisas
Apesar daquilo que só eu é que sei
Pela vontade de ser feliz, de buscar um sentido, uma luz
Por desejar aprender sobre a vida
E querer cuidar bem do que é meu

Igual pelas diferenças
Por não fazer pão
Plantar milho, arroz ou feijão
Construir uma cadeira
Fazer uma pipa, girar um pião

Sou igual por tantas semelhanças
Ausência de compaixão
Extrema vaidade ou ambição
Egoísmo, inveja e gula
Indiferença com a dor de um irmão

Sou igual a você, mesmo sendo único
Crescendo, lutando, ganhando ou perdendo
Tendo tudo, ou nada
Pois não há mesmo diferença
Na hora que a vida inventa que é tempo de seguir com o vento