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quinta-feira, 24 de maio de 2012

CONQUISTAR PARA TER

A impressionante fortaleza Red Fort em Old Delhi, 26/11/2011
Patrimonio da Humanidade

CONQUISTAR PARA TER
Celso de Lanteuil
2/04/2007
 
Por vezes penso que o homem surgiu para oprimir
Tirano por natureza
Vampiro por necessidade
Nasceu para viver bebendo a esperança dos outros
E comer os sonhos dos seus semelhantes
 
Na idade da pedra assim fazia para sobreviver
E sobreviveu porque se uniu
Para se defender do frio e da falta de alimento
Mas depois, para conseguir o melhor bife
Foi se isolando
 
Em algum momento durante sua trajetória
Começou a querer mais do que seus próximos
Mais carne, mais pão
Uma moradia maior e mais segura
Então precisou de escravos, de exércitos
 
Hoje anda cada vez mais só
Luta pelos seus interesses e sorri para disfarçar
Faz um discurso que agrada a platéia que lhe ouve
Vende e compra almas, tudo para atingir a meta
E ser muito feliz, apesar da desgraça que constroi


Trabalhadores fazem a manutenção da fortaleza

DENTRO DO COMBOIO

Uma habitação bem precária em Antananarivo, Madagascar

DENTRO DO COMBOIO
Celso de Lanteuil
Lisboa-Porto, 20/05/2012

Ele pede ajuda
Para a mãe
Pelos irmãos
Por ele que precisa resistir
 
Ele escreveu num papel sua condição
Fez muitas cópias que distribui dentro do trem
O que ali está escrito é forte
Não vou repetir
 
Ele pede ajuda. Tem coragem para isso
Seu olhar me convence. Faço a minha contribuição
Ao redor paira a suspeita
Será este mais um golpista?

terça-feira, 22 de maio de 2012

VOZ

Repouso após uma longa jornada
de Antananarivo, com pouso em Marseille e Paris 

VOZ
Celso de Lanteuil
Mais uma Feira do Livro em Lisboa
Marquês de Pombal Maio 2012

Nasci para muitas coisas
Para tolices, besteiras
Brigas bobas, verdadeiras babaquices

Nasci para perceber lá no fundo
Nos olhares, nos detalhes
Nos traços, atos, nas dores e temores

Nasci para a indiferença
E a lucidez
Para a superfície e as profundezas

Sigo entre o superficial e o denso
Fico apertado neste ser e não ser
Neste rosto que não consegue tornar-se somente um

De um lado o desejo de viver livre, autêntico
Comprometido com a vida e as pessoas
Do outro lado a vontade de deixar a vida seguir

Aceitar os outros
Colocar os pés na areia
Tocar uma canção para um estranho que queira me ouvir

Rasgar o paletó que sou obrigado a vestir
Queimar minhas gravatas
Destruir a formalidade que me persegue por razão de profissão e formação

Nasci para aprender e ignorar
Mas nada do que faço ou sonhe
Consegue subsistir sem este um e outro

Sou a voz que grita e luta, a outra que cala e fraqueja
Sou este que quer rir e não consegue
E aquele que escuta o filho adoslescente dizer “Pai, você é uma criança”

Azulejos portugueses de personagens das histórias em quadrinhos
Painel localizado na região do Pavilhão Atlântico, Lisboa

DEUS

Lagostas e caranguejos se apertam e aguardam
DEUS
Celso de Lanteuil
Lisboa, Rossio, 28 de Abril de 2012 

Volto a falar de Deus. Como não fazê-lo? Deus está na vida de todos nós, não é mesmo? Ou será que não? Almoço defronte de um tanque com água num restaurante de rua. Alguns chamam a isso de aquário! Observo lagostas a subir e descer das costas de alguns caranguejos. Elas tem as garras amarradas. Entre os dois extremos do apertado aquário, dois grupos de lagostas empurram a menor de um lado para o outro.

A cada trinta segundos, aproximadamente, ela é expulsa do seu canto de modo nada amistoso. No meio deste embate que só não é mais agressivo pelo fato de terem suas garras amarradas, os enormes caranguejos respiram o oxigênio da morte.

Se Deus é onipotente e o mais justo de todas as criaturas, por onde andará para permitir este espetáculo mórbido? Paro por aqui. Nem mesmo pretendo falar da fome, sede, ditadores, censura, tortura, usura, gula, egoísmo, corrupção, escravidão...

Volto a dizer. Se Deus tudo pode, deve estar distraído com assuntos mais interessantes, ou anda muito ocupado com questões mais sérias.

Cartaz espalhado pelas ruas de Lisboa, Maio de 2012

DIABO

Bomba que caiu no Santuario di San Francesco di Paola, Calabria
Por alguma razão não explodiu
DIABO
Celso de Lanteuil
Lisboa, 28 de Abril de 2012
 
Que o Diabo existe, isto sabemos que sim. Se possui chifres e rabo, já é outra história. Por vezes chego a pensar que aqui na terra seus seguidores já são maioria. São as notícias dos jornais e as cenas do cotidiano que me fazem pensar dessa maneira. A lista de eventos é vasta e de conhecimento de qualquer pessoa que tenha um pouco de humanidade no coração. Basta ser um observador atento dos acontecimentos e das pessoas, para se verificar que a popularidade do capeta aumenta. Guerras, corrupção, sofrimento, holocausto, preconceito, ódio, inveja e a lista parece não terminar.
 
Como já disse inúmers vezes, para Deus deixar como está, é porque tem problemas maiores para resolver. Mas se Deus é justo, misericordioso e tudo é capaz, não entendo porque ainda não trouxe a paz e o equilibrio para aqueles que vivem na terra? Afinal, Deus não deseja o sofrimento de ninguém, inclusive não quer ver o Diabo chorar. Que dilema tem Deus em suas mãos. Será que passou todo esse tempo a refletir e até o momento não encontrou uma justa solução para este caos em que se meteu a humanidade? Será que essa indefinição ainda vai durar muito tempo?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

SUGADOR DE ALMAS

Old Town, New Delhi
Na porta de um templo
Foto autorizada

SUGADOR DE ALMAS
Celso de Lanteuil
Comboio Porto-Lisboa, 04 04 2012 
 
Cuidado!
Garras podem tocar seu pescoço
Forças podem sufocar tua voz
Vampiros sugadores de alma podem sugar sua essência
Deixá-lo anestesiado, sem sentido, indefeso
 
O veneno do mal pode estar dentro de você
Das suas revoltas e desapontamentos poderá surgir uma pessoa amarga
E agressiva
Essa violência poderá voltar para aqueles que mais ama
Não culpe alguém por aquilo que você é, faz ou vive
 
Entenda o porque das suas aflições
Compreenda e aceite que as pessoas são diferentes de você
Sonham a felicidade de uma outra maneira
Sofrem por motivos que não os seus
Desejam coisas que não lhe interessam
 
Não tente fazê-las caminhar na sua trilha
Vibrar com os seus projetos
Admirar aquilo que lhe faz ficar impressionado
Se elas rezam para um outro Deus e desse modo encontram a paz
Deixe-as seguir na sua vocação
 
Se elas tocam a relva e choram
Ou se encontram motivação na prostituição
Tente olhar com cuidado aquele que é levado para uma ou outra situação
Lembre-se do que tens, daquilo que lhe trás alegria e conforto
Dor e desamor
 
Não abandone os seus ideais
Mas permita-se o exercício da tolerância
As pessoas só podem lhe oferecer aquilo que sabem
Sobre o amor, a auto-estima
O respeito e a liberdade
 
 
Red Fort, New Delhi
Foto autorizada
Um simpático e educado guarda orienta turistas
Niki de Saint Phalle (1930-2002)
Crucifixion, 1965
critica de época da representação convencional da mulher
Centre George Pompidou
A OUTRA
Celso de Lanteuil
Porto, 21-05-2012
(hora do lanche)
 
Ela é uma bota de salto fino
Um casaco com gola alta e botões largos
Ela é uma bolsa amarela
Um lenço de seda que ornamenta e aquece
 
Ela é o óculos escuro preso aos cabelos
O brinco, a pulseira, as unhas pintadas
Os lábios vermelhos do batom
Nua, ao banhar-se, ela é a outra que não quer ver