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segunda-feira, 30 de julho de 2012

OPERAÇÃO MATEMOCIONAL

Litogravura de Rodrigo Cunha
primeiros trabalhos

OPERAÇÃO MATEMOCIONAL
Celso de Lanteuil
Rio, 31/01/03
Introdução aos Gêneros Literários
Estação das Letras, Suzana Vargas

Simples
Muito simples
Como 2 + 2 são 4
Não como 1327 divididos por 33

Existem pessoas
E pessoas
Umas são 2 + 2
Outras são 7231 divididos por 95

Pessoas que sonham
Que partilham
Dividem o pão
Constroem o chão

Existem as que insistem
Em construir muros e labirintos
Para lá dentro viver
E nos prender

Pessoas são fáceis
Difíceis
São para mais
E de menos

Sabem diminuir
Especializam-se em dividir
Boas em multiplicar
Outras em somar

Quantas operações
Tantas fórmulas
Equações
Haja cálculo!

O milagre dos peixes
Vila de pescadores na Ilha do Sal 07/2012



terça-feira, 26 de junho de 2012

TO MY OLD FRIEND

One of my favorite albums
Toots Thielemans and Elis Regina, Aquarela do Brasil
Recorded in Sweden 1969
Great musicians around: Antonio Adolfo, Roberto Menescal, Wilson das Neves
Jurandir Meirelles, Hermes Cortesini

THE CAPTAIN OF THE MELODY
Music and lyrics by Celso de Lanteuil
Porto, 07/11/2011 

I am talking about a simple man
A genius of emotion
The bright mind of the blue note
A master of the Jazz

His first love was Elis
Sivuca, Tom, Ivan Lins
He travelled many times to Rio
His soul is a bit carioca

He is a kind of masterpiece
The hero of a nation
A Belgium gentleman
The Captain of the melody

I met him at Copenhagen
He took me to the Tivoli
Invited by the Queen
To play with the local symphony

He introduced me as his manager
And put me on stage
And played The Shadow of Your Smile
Amazingly

He gave us Bluesette
His music will last
He gave us his best
Toot’s, the Captain of the melody

One of my favorite records is Old Friend
Arranged and conducted by Ruud Bos
Produced by Cess Schrama, Photography by Moot Gerretsen 
(from my discography)

domingo, 17 de junho de 2012

NEM QUE A VACA TUSSA

    Trecho da estrada que liga Agra a Nova Delhi
    Novembro de 2011

NEM QUE A VACA TUSSA
Celso de Lanteuil
Antananarivo, 13 de Março de 2012

Nem que a vaca tussa
Ou a galinha voe
E o homem das cidades volte a andar descalço
Sem medo de cortar os pés

Mesmo que eu chegue em Jupiter e lá consiga habitar
O amor resista aos novos tempos
As guerras acabem
As armas desapareçam

Ainda que não haja mais lixo e a miséria venha terminar
Não mais existam crianças e velhos tristes
As doenças sejam extintas
O homem encontre sentido e seja feliz

Mesmo que os passarinhos retornem a cantar
Os jovens aprendam o significado do amor
As águas dos rios tornem-se cristalinas
As florestas envolvam o concreto e os animais vivam livres

Mesmo que a escravidão seja uma lembrança distante
Assim como não existam mais opressores
Que eu possa rezar para o meu Deus sem te insultar
E tua cor não seja motivo de dor

Seu sorriso seja verdadeiro
Exista esperança para todos
A vida torne-se muito mais longa
Os sistemas estrelares levem mais tempo para morrer

Animais, plantas, minerais existam na sua plenitude
E nossa história não seja esquecida
Mesmo assim, em algum lugar, vida e morte estarão a dialogar
A se tocar como íntimos parceiros

Nesse processo interminável, onde nossa incompreensão perdura
Nossa angústia cresce com o passar dos anos
Nossa indiferença passa a ser uma defesa frágil do inconsciente
Que a qualquer hora se desmorona como castelo de areia

Porque para se compreender tal mistério
É necessário mais da vida saber
Do amor ser conhecedor
Da nossa dimensão e missão bem entender, e sentir

Nem que a vaca tussa
Ou a galinha voe e eu chegue em Jupiter
As guerras acabem e as armas desapareçam
Mesmo que eu consiga encontrar um sentido...

Templo em Old Delhi, 26 de Novembro de 2011

terça-feira, 12 de junho de 2012

MODERN SOUND

Mãe Rosa, Tia Arlete e eu na Modern Sound, 03/2010
 
Freqüentei esta casa ainda garoto, desde o tempo em que as filas do Bruni Copacabana chegavam à calçada da Barata Ribeiro quando nos idos anos 60 assistíamos os Beatles nos cinemas lançar Help e novas canções. Esse maravilhoso espaço desapareceu em dezembro de 2010. Como aconteceu quando aterraram as dunas de areia de São Conrado e Barra da Tijuca, demoliram o Palácio Monroe e o Morro do Castelo ainda bem antes. A vida segue com menos sonoridade, história e graça... You are always on my mind...

MODERN SOUND
Celso de Lanteuil
09/03/2010

Hoje estive numa das mais lindas lojas do planeta
Se existe arte no comercio, aqui ela transpira
Borbulha como o leite que ferve e sai da leiteira
O negócio deles é vender música. Ritmo, estilo, idiomas, instrumentos
Uma sonoridade diversa lá está. Onde os vendedores conhecem música

Alguns até cantam. Mas por melhor que seja a oferta e o produto...
A crise não compra CDs, DVDs, nem os velhos e imbatíveis LPs
Quando a carteira esvazia, ou o down load cresce
O pouco que sobra é para comprar o pão e o feijão
E muitas casas ficam em silêncio

Contudo, muitos de nós precisamos da voz da Elis, da gaita do Toots
Do balanço dos Tribalistas, para nos mantermos nas alturas
Hoje no palco da Modern Sound assisti a encarnação de Elvis
O vendedor de LPs Elvis Presley Xavier nos mostrou que canta como Rei
Deu um belo recado e deixou a platéia eufórica

Cantou e dançou “believe me, believe me”
Love me tender... It is now or never…
Os presentes acompanharam cantarolando e dançando
A Modern Sound precisa de nós clientes
Mas nós precisamos dela para colorir os nossos caminhos

Sem a música desse lugar Copacabana vai perder muito da sua graça
E ficar mais barulhenta. Alguns lugares precisam se eternizar
Como as canções que Elvis nos deixou
É o caso desse negócio que nos trás alegria e boas recordações
Por isso a Modern Sound não pode parar. A little of less conversation...

terça-feira, 5 de junho de 2012

MEU AMIGO DESAPARECEU

Inicio de incêndio no bairro Plateau, Maio 2012
Ilha da Praia, Cabo Verde

MEU AMIGO DESAPARECEU
Celso de Lanteuil
Lisboa-Porto de comboio
29/05/2012

Meu amigo desapareceu. Sumiu!
A mulher e ele estão foragidos
Devem estar correndo algum tipo de perigo
Eu os conheço muito bem

Pelo trabalho, para a família
Para o trabalho, pela família
Eles vão e voltam. Fizeram assim nos últimos 30 anos!
Ele trabalhou tanto que o coração quase explodiu

Engordou vinte e poucos quilos
Passou muitos anos engolindo o almoço
Ele é um homem brilhante
Possui uma inteligência privilegiada

É dono de um humor raro, sensibilidade intensa
E é muito criativo
Mas sua vocação é trabalhar
Trabalhar e trabalhar

Ele estava exausto. Desiludido com os nossos governantes
E as pessoas de modo geral
Sobram desonestos e a incompetência vigora, costumava me dizer
Então trabalhava ainda mais para compensar

De tanto trabalhar, esqueceu dos sonhos, das suas raízes e amigos
Ele está foragido. Não matou. Não roubou
Nem cometeu delito que justifique esse isolamento
Deve estar trabalhando como nunca fez

quinta-feira, 31 de maio de 2012

EXÍLIO

Cabine de um Boeing 767-300
avião que trabalhei por quatorze anos como Comandante e Instrutor de voo
A aeronave da foto pertenceu a Varig, mas nessa ocasião o proprietário era a EAA 
Jeddah, Arabia Saudita, 10/11/2011

EXÍLIO
Celso de Lanteuil
14/01/2009

Mal chegou, partiu
Abraçou-me bem forte
Para logo em seguida suavemente desaparecer

Onde estarão meus amigos, que lugar visitam?
Que amizades os acompanham?
Que risadas sorriem?

Estarão motivados?
Amando?
Lutando novas batalhas, sofrendo derrotas?

Será que me reconhecerão?
Será que os reconhecerei?
Mudaram eles, ou mudei eu?

Neve repentina em Bishop's Stortford, 23/03/2008

POETAS E POEMAS

 Poesia nas ruas de Maputo,
Moçambique, 27/10/2011

SÉRIE POEMAS INSPIRADOS NUM INDIGNADO 2
Celso de Lanteuil
UK, 29/04/2007
Inspirado num poema de Brecht
POEMAS 1913-1956, Editora Brasiliense

Poemas falam de amores
De dores, dos piores medos, das melhores horas
De traições, de maldições
Covardias e heresias

Pode um poema tudo descrever?
Saberá o poeta melhor compreender?
Versos iludem, nos deixam grogues
E também nos levam a lutar

Apesar de tudo ver, indicar, denunciar e gritar
Poetas e poemas não impedem psicopatas de torturar
Egoístas de trair, fascistas de subjugar
Falsos de rir e mentir

Mas nos fazem pensar sobre os rumos que seguem os homens
Em mato, tu roubas, ele tortura
Nós traímos, vós invejais
Eles fazem poemas

Um bom poema é a contramão
A morfina que elimina a dor
O amor que sufoca o ódio
A água que acaba com a sede

Travesseiro para cabeças cansadas
Alimento para espíritos famintos
Eu verso, tu escreves, ele cria
Nós compomos, vós fazeis rimas, eles interpretam as emoções

Seria possível a vida sem os poemas? Creio que não
Poetas e versos são tão necessários quanto um abrigo
Um grande amor, uma obra de arte, uma mente brilhante
Um mestre da ciência ou um grande líder espiritual

É uma necessidade do homem para prosseguir
Um remédio eficaz para corações angustiados
Poetas e poemas nos fazem repensar sobre as coisas simples da vida
E da mesma forma, pelos absurdos que ela nos revela

Poeta de rua em Maputo
Moçambique, 27/10/2011