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terça-feira, 12 de março de 2013

AS FOTOGRAFIAS

Entardecer visto do Arpoador
Rio de Janeiro, Janeiro de 2013
 
 
FOTOGRAFIAS
Celso de Lanteuil
Rio, 27 de Janeiro de 2013

Fotografias!
Sorriem e choram
Revelam espantos, oportunidades
Gestos, espontaneidade
Detalhes, testemunhos

Fotos traduzem
Conversas, acordos, segredos, detalhes
Mostram desavenças
Perguntas, respostas
Causas, efeitos, atitudes expostas

Fotos mostram
Palavras, olhares, pensamentos
A respiração explodindo
O coração interrompido
Uma expressão de preocupação

Fotografias são documentos
A sedução que passou
O vestuário de agora
Momentos políticos
Pequenos e grandes fragmentos

Aquilo que foi
Que poderia ter sido
Excessos, ritos e crenças
Fobias e fanatismos
Nossas piores e melhores práticas

Fotos são sonoras e cheiram
A mar, grama, flor, feijão, vendaval
Cantam, gritam, dançam
Correm, escorregam, tombam
Sangram!

Sabem mascarar também
Instantes, intenções, fatos, expressões
O árduo e o suave, a água e o fogo, o lixo e o luxo
Dores, valores, sonhos perdidos
Não nos deixam esquecer, mas cuidado com as poses
 

Lisboa, 2012


segunda-feira, 11 de março de 2013

BANAL

Travessa que liga a Rua Santa Clara em Copacabana,
a Praça Edmundo Bittencourt, também conhecida como
Praça do Bairro Peixoto, Rio de Janeiro de 2013
BANAL
Celso de Lanteuil
Rio, 23 de Janeiro de 2012
Para musicar

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais

O carro avança o sinal
A carreta segue na contramão
Um bêbado muito veloz
Na curva perde a razão

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais

A morte está à vontade
Não faz qualquer distinção
Está abusada, não tem compaixão
Não quer esperar o amanhã

É tiro, é faca, soco, pontapé
No trânsito, na escola, em casa, na diversão
É um jogo difícil demais
A dor não machuca mais

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais



Escrito alguns dias antes da tragédia que vitimou em Santa Marta
Rio Grande do Sul, mais de 240 jovens


E a vida segue...
   Estação Primeira da Mangueira
Ala das baianas em evolução no Sambódromo
Carnaval de 2013, Rio de Janeiro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PENSAMENTOS SOLTOS 2

Motorista de taxi em Antananarivo, Madagascar, 02/2012

PENSAMENTOS SOLTOS 2
Celso de Lanteuil
Inspirado no Livro dos Abraços
De Eduardo Galeano
Lisboa, 04/10/2012

NOVE
A fome de abraços e beijos
Aumenta com a fome de feijão, ou será que não?

DEZ 
Deus caminha só na sua interminável jornada
Pensa só, ama só
Sofre na solidão e decide sozinho
Quem chora e quem é feliz

ONZE
Atenção cidadão que tenta manter a lucidez!
O sistema separa e determina
Vozes se calam
Memórias esquecem
Pensadores silenciam
Corações se distanciam
A História se apaga
E se repete

DOZE
A cultura do trabalho
É invenção do sistema
Não se pode ser feliz
Não se pode disso falar
É preciso trabalhar
Até a morte chegar...

TREZE
Idiotas
Só sabem copiar modismos
O modo de viver de outros povos e culturas
São especialistas em serem aquilo que não são

QUATORZE
Todos nós em algum momento queremos nos esconder
Inclusive de nós mesmos
Mas ter que medir as palavras cansa
Fingir para nossos amigos estrangeiros que o brasileiro vai bem
Porque o Brasil está sempre na mídia, bombando como se diz por aí
Não é para mim
O Brasil não é somente o país da Copa e das Olimpíadas
É também a nação dos brasileiros escravos
Das novas e velhacas elites, do povo sem teto, violento e corrupto
De uma classe política corporativa e cruel
Apesar do povo trabalhador, honesto e solidário
Temos também muitos ladrões e gente que adora "um jeitinho"
E que sofre cantando, sorrindo, tomando cachaça e antidepressivo...

QUINZE
Estranhas são as pessoas. Gostam de reverenciar os mortos
Negam-lhes o reconhecimento em vida
Falta o hábito e a coragem para dizer

Você é um excelente profissional
Sobram-lhes qualidades
Suas habilidades me surpreendem...

Preferem ir ao velório
E lá proferirem os seus discursos
Repletos de elogios pomposos

DEZESSEIS
Deixem-me ficar por aqui
Ainda há muito para fazer
A vida faz ótima parceria comigo
Gosto do que ela oferece

Das suas tantas contradições
Dos seus tantos segredos
Da sua gente e natureza
Acho que ainda posso muito contribuir

Para diminuir o medo, a angústia
A estupidez dos homens
A destruição que este cria...
Mereço esta chance

Trabalhando para não roubar


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PENSAMENTOS SOLTOS

Elétrico
Porto, Abril de 2011

PENSAMENTOS SOLTOS
Celso de Lanteuil
Inspirado no Livro dos Abraços
De Eduardo Galeano
Lisboa, 04/10/2012
 
UM
Sou muitos abraços
O abraço apertado
O abraço impedido
E aquele esquecido
 
Sou o abraço partido
O que não chegou a ser
O abraço distante
Que o exílio esconde
 
DOIS
Não há exílio
Que apague
A memória
De uma vida
 
TRÊS
O bom senso da hierarquia
Quase sempre é uma merda
 
QUATRO
Os índios não são superheróis
 
CINCO
O esquecimento e a ignorância
São muito parecidos
 
SEIS
Não há borracha
Ou aspirador de pó
Capaz de limpar
A sujeira da nossa história
 
SETE
A liberdade assusta
É para quem sabe ser livre
 
OITO
Para escapar da realidade
E da dor que ela produz
O homem inventou a superficialidade

Vitrine de uma loja de roupas e artigos em geral
Serra do Gerês, 08/2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Road to Zimmerman

Bob Dylan L'Explosion Rock 61-66
Cite de La Musique, Paris, 07/03/2012

ROAD TO ZIMMERMAN
Celso de Lanteuil, Lyrics and song
Rio, 11/04/2011
To one of my heros

Have you ever realized, you're developing a stupid mind?
Can you see the exits in the road that leads to a false paradise?
Are you able to show some control, when the politician says he knows?
Are you capable of some kind of mercy, when this thief stabs your soul?

REFRAIN
No compassion at all
No ladder to heaven
No pity to show
No blood to share

Are you still locked in this thought?
Can you find a meaning for life?
Are you lost in this mist of dreams that tease you and keep you tied?
Have you played good samaritan today or did you take the faith of a mate?

REFRAIN
No compassion at all
No ladder to heaven
No pity to show
No blood to share

An important moment
Paris, 07/03/2012


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

VAMPIROS

Entrada de um restaurante em Santiago de Compostela
Galícia, 11/2012
 
VAMPIROS
Celso de Lanteuil, Letra e música
Ernesto Paim, música
Rio, 29 04 2011 
 
(Som de tambores)
Você não quer cantar
Você não tem fé
Você não sabe brincar
Você come plástico!
 
Você não bebe água
Você não toma banho de Sol
Você não sabe beijar
Você não sabe sofrer por alguém!
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas
 
(BIS)
São os bichos que comemos
 
Nos escritórios, em família, onde for
Engolimos vivos os nossos irmãos
Tudo para continuar adiante
Tudo para continuar adiante
E recomeçar no amanhecer
E recomeçar no amanhecer
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas
 
(BIS)
São os bichos que comemos
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas

São os bichos que comemos...


domingo, 18 de novembro de 2012

AFOBADO

Agra, caminho para o Taj Mahal, 12/2011


AFOBADO
Celso de Lanteuil
Porto, 17/11/2012

Afobado
Afobado para viver
Esbarrando, tropeçando
Correndo para não deixar de ver

Afobado. Afobado para tocar
Sentir e respirar. Segue passo apressado
Nas encruzilhadas
Diante das portas que se abrem e fecham

Entre o ir e o vir
Inconformado
Querendo decidir
No meio das regras e da estupidez

Sem parar
Sempre afobado
Tentando agarrar
E não deixar escapar

Luz, pensamento
Aquele instante, torná-lo impressionante
No descompasso. Disforme
Possível e improvável. Pequeno e eterno

Neste absurdo mundo das contradições
Passando pelas liberdades e prisões
Pelos derrotados e os campeões
Da lamúria ao gozo, da lâmina que mata e cura

Nestes opostos que nunca se veem
Dos que se doam, dos que se vendem
Aqueles que enxergam mas nunca sentem
Os que valem bilhões e os escravos

Afobados vamos seguindo
Para recuperar o minuto passado
Com a crença e a descrença, a paz e o horror
Sendo bárbaro, sendo amor

Próximo ao pedágio de Gurgaon, New Delhi, 11/2011