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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

GREVE DE FOME DO JOSÉ MANUEL

Foto do fotógrafo Paulo Resende

GREVE DE FOME DO JOSÉ MANUEL
José Manuel faz greve de fome no aeroporto Santos Dumont
Celso de Lanteuil
Algum lugar do globo, 11 de Agosto de 2013
 
Um homem tenta chamar atenção
Corpo idoso, cansado de esperar
É cidadão brasileiro
Já teve importância na construção do país
 
Trabalhou na VARIG. Produziu, gerou riqueza
Fez o Brasil atravessar o planeta
Ele não acredita nas autoridades
Não vê sentido nessa nação
 
De um lado beleza, riqueza, saúde e risos
Do outro o frio da indiferença
Ele faz sua greve de fome
Desesperado ato para chamar atenção
 
Não quer favor
Não quer perdão
Não deseja inspirar compaixão
Quer o que lhe é de direito
 
O investimento da sua previdência
A garantia do seu AERUS
Já se vão mais de sete anos
Desde então, muitos colegas morreram
 
Ele vendeu o patrimônio
Doou seu melhores anos
Por isso faz greve de fome
Não quer virar estatística desse enorme descaso
 
José Manuel quer chamar atenção
Corpo idoso, cansado
Não quer favor, não deseja inspirar compaixão
Prefere a morte digna no saguão do Santos Dumont
 

 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

MINHA PERSONAGEM

Entrando em terras espanholas após cruzar o Golfo de Vizcaya
Maio de 2013

MINHA PERSONAGEM
Celso de Lanteuil
Rio de Janeiro, 05 de Abril 2013
Ouvindo Creedence Clearwater Revival
Who'll Stop The Rain

Minha personagem é uma novidade
Anda de passagem
Não se faz notar
É da Terra, tem raíz em qualquer lugar

Compreende muitos idiomas
Se entende bem com quem quer falar
Tem vocação para se adaptar
Acha que o céu é azul para todos!

Nesse ir e vir, descobre o mundo
Uma terra disforme, irregular
Apressada, povoada e usada
Conhece o outro lado, ainda virgem

Sabe que existem diferenças
Enormes distâncias separam
Homens, animais, vegetais
Minerais e outros mais

Seu olhar não deixa nada escapar
Vê o agora, passado e amanhã
Enxerga quem fomos, quem somos
Imagina quem poderemos ser

Se assusta com a altivez dos homens
Sua angústia, medos, desejos e saber
Minha personagem tem medo
Dos horrores que nascem e amadurecem

Da sujeira que cresce e não desaparece
Dos desperdícios
Do indisfarçavel ignorar
Grita socorro, mas não sabe quem procurar

Diante da miséria que se alastra
Da violência que desta nasce
Da ignorância que aumenta
E faz nascer exploradores e escravos

Face a face com fanáticos alucinados
Consumidores desvairados
Governantes aloprados
Ela chora...

Senhora atravessa uma rua em Lagos, Nigéria
Fevereiro de 2013


quarta-feira, 8 de maio de 2013

UMA CRIANÇA

Crianças jogam bola descalças
Cidade Velha, Ilha da Praia
Cabo Verde, 04 de Maio de 2012
 
UMA CRIANÇA
Celso de Lanteuil
Porto, 28 de Outubro de 2012
 
Uma criança diz
Você é infeliz!
O pai responde
Bobagem sua
Ela insiste
Eu sei porque
 
Ele pergunta
Por que?
Sem vacilar
Conhecedora do assunto
Conclui
Você só sabe trabalhar

OUTRA CRIANÇA
Celso de Lanteuil
Porto, 28 de Outubro de 2012
 
Olha pra a mãe e reclama
Você não gosta de mim!
A mãe reage dando atenção

Faz carinho
Fala com beicinho 
A menina não quer saber de explicação

Esperneia, chora sem razão
A mãe pondera, explica
Tenta de outro jeito

Nada da resultado
Ela grita mais alto, chora outra vez
E repete, você não gosta de mim!

Hora do recreio
Cidade Velha, Ilha da Praia, Cabo Verde
 

354 CANVASES


The Holy Family, 1634
Rembrandt van Rijd
 
THIS IS REMBRANDT
354 CANVASES
Celso de Lanteuil
Amsterdam, 27-04-2013
 
Colour, shadow and light
Fear, pain, swords, arrows
A head decapitated
Turbans, self-portrait
Emotional states in front of the mirror
To better understand the expression of man
 
The praying woman, the soldier
The Apostle Paul in prison
The bust of an old sir, the Good Samaritan
Andromeda, Simeon’s song of praise!
David with the head of Goliath
Jeremia lamenting the destruction of Jerusalem
 
An old woman reading
The raising of Lazarus
Samson betrayed by Delilah
The power of imagination
An amazing spatial orientation
The inevitable atmosphere is created
 
Combined, light, shadow, colour and soul
The portrait of so many
Men, women, Princes…
The anatomy lesson of Dr Nicolaes Tulp
King Uzziah with leprosy
The rape of Europa
 
A bachelor
Nymphs bathing with Diana
Another self-portrait, again, again and again
Christ in the storm, suffering on the Cross
Entombment
Resurrection and ascension
 
The abduction of Ganymede
A beautiful boy took by Zeus to Olympus
Into an eagle’s shape!
Abraham’s sacrifice
Philistine soldiers blind Samson
Flora, Minerva, a man in oriental dress
  
Young wife Saskia
Maria on a trip
Another portrait, again and again
The night watch
A huge canvas, one of so many
A slaughtered ox
 
Different faces, landscapes
Angels, glory and disgrace
A history of studies
Time makes us realize
How essential art it is
For the evolution of man
Representing reality
Samson overpowered by the Philistine soldiers
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

QUE ARTE É ESSA

Jaqueline no piano e Liliane no vocal
Fazendo Arte, Paquetá, Abril 2013
 

QUE ARTE É ESSA…
Celso de Lanteuil
Salamanca, 02 de Janeiro de 2013
 
Que arte é essa que faz pintura virar depoimento
Ferro tornar-se movimento
Vidro modificar o momento
Moldura valorizar o instante
Bronze eternizar um beijo
Máscara ocultar o proibido?
 
Arte que nasce do homem
Desde o primeiro expressar
Que vai se transformando e mudando
Com esse curioso humano
Obscuro, rude, ignorante, assustado
Que segue diante do Sol...
 
Vai artista, atento sem saber
Amolecendo o bruto que há em você
Errando para aprender
Dominando para conquistar, conquistando para ser
Amando e odiando. Plantando e destruindo
Libertando e sufocando
 
Vai nascendo e crescendo
Malabarista inventor!
Persistente em alguma dor
Nesse caminhar de extremos
Onde de tudo aprendemos
E desaprendemos num piscar
 
Mago da criação, usa da imaginação
Insiste com a madeira a fazer seu documento
Arame, prego, espinho
Corrente, papel, ouro, metal
Vai deixando seu registro, não importa se desigual
Do que amou, lutou, sofreu, perdeu ou ganhou



Em frente mágico da vida
Quer no mármore, argila, azulejo
Esmalte, restos de papelão e latão
Produz sua expressão
Para que outros possam sentir
Esse pulsar que não para de seguir
  
Desse modo vai. Construindo e desconstruindo
O velho e o novo, se agarrando e partindo
Numa outra forma de dizer
De cantar, fazer rir ou chorar
Retratando a experiência da vida
Esse ritmo que não pode parar



The Potato Eaters, Van Gogh Museum
Amsterdam, 03-2013
 

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

ORAÇÃO PARA DEUS

 
Notícias do cotidiano
Rio de Janeiro, Março 2013
ORAÇÃO PARA DEUS
Celso de Lanteuil
Rio, 13/12/2002
 
Poderoso Deus, esqueceu dos seus?
Nas ruas, lares, favelas, tribunas e tribunais...
Deixa enlouquecidos ditadores sangrar seus horrores
Em guetos, pratos vazios, no contraste do lixo rico!
 
Onipotente Deus
Como permite ensandecidos assassinos 
Sorrindo fazerem oficio
Sucesso com a morte e o medo?
 
Deus, não lhe parece cruel?
Desce logo dos céus. Pisa a Terra, molha os pés
Toca os doentes, aquece lençóis
Destrói as armas que noz fazem chorar
 
Cura logo as doenças
A ambição que destrói a paz
Acaba com o egoísmo, a gula, esse ódio que não acaba mais
Essa escravidão que aprisiona sonhos
 
Você que tudo criou e dizem tudo pode fazer
Porque não inventa solução, para essa triste confusão?
Não seja assim tolerante, com essa tragédia humana
Corrige rápido esse caos, do contrário, vai acabar muito mal

Mas se nada disso procede e está em nossas mãos
Mudar, avançar, cuidar, compreender
Consertar, educar, aprender e amar
Temos que nos mexer, temos que nos mexer
 
Depoimento de trabalhadores do cultivo da banana
Testemunhos de massacres através do canto, Chocó, Colombia
Exposição inaugural da casa Daros
Rio de Janeiro, Março de 2013
 
 

 

 

terça-feira, 12 de março de 2013

AS FOTOGRAFIAS

Entardecer visto do Arpoador
Rio de Janeiro, Janeiro de 2013
 
 
FOTOGRAFIAS
Celso de Lanteuil
Rio, 27 de Janeiro de 2013

Fotografias!
Sorriem e choram
Revelam espantos, oportunidades
Gestos, espontaneidade
Detalhes, testemunhos

Fotos traduzem
Conversas, acordos, segredos, detalhes
Mostram desavenças
Perguntas, respostas
Causas, efeitos, atitudes expostas

Fotos mostram
Palavras, olhares, pensamentos
A respiração explodindo
O coração interrompido
Uma expressão de preocupação

Fotografias são documentos
A sedução que passou
O vestuário de agora
Momentos políticos
Pequenos e grandes fragmentos

Aquilo que foi
Que poderia ter sido
Excessos, ritos e crenças
Fobias e fanatismos
Nossas piores e melhores práticas

Fotos são sonoras e cheiram
A mar, grama, flor, feijão, vendaval
Cantam, gritam, dançam
Correm, escorregam, tombam
Sangram!

Sabem mascarar também
Instantes, intenções, fatos, expressões
O árduo e o suave, a água e o fogo, o lixo e o luxo
Dores, valores, sonhos perdidos
Não nos deixam esquecer, mas cuidado com as poses
 

Lisboa, 2012


segunda-feira, 11 de março de 2013

BANAL

Travessa que liga a Rua Santa Clara em Copacabana,
a Praça Edmundo Bittencourt, também conhecida como
Praça do Bairro Peixoto, Rio de Janeiro de 2013
BANAL
Celso de Lanteuil
Rio, 23 de Janeiro de 2012
Para musicar

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais

O carro avança o sinal
A carreta segue na contramão
Um bêbado muito veloz
Na curva perde a razão

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais

A morte está à vontade
Não faz qualquer distinção
Está abusada, não tem compaixão
Não quer esperar o amanhã

É tiro, é faca, soco, pontapé
No trânsito, na escola, em casa, na diversão
É um jogo difícil demais
A dor não machuca mais

Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais
Banal, está nos jornais
Normal, ninguém liga mais



Escrito alguns dias antes da tragédia que vitimou em Santa Marta
Rio Grande do Sul, mais de 240 jovens


E a vida segue...
   Estação Primeira da Mangueira
Ala das baianas em evolução no Sambódromo
Carnaval de 2013, Rio de Janeiro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PENSAMENTOS SOLTOS 2

Motorista de taxi em Antananarivo, Madagascar, 02/2012

PENSAMENTOS SOLTOS 2
Celso de Lanteuil
Inspirado no Livro dos Abraços
De Eduardo Galeano
Lisboa, 04/10/2012

NOVE
A fome de abraços e beijos
Aumenta com a fome de feijão, ou será que não?

DEZ 
Deus caminha só na sua interminável jornada
Pensa só, ama só
Sofre na solidão e decide sozinho
Quem chora e quem é feliz

ONZE
Atenção cidadão que tenta manter a lucidez!
O sistema separa e determina
Vozes se calam
Memórias esquecem
Pensadores silenciam
Corações se distanciam
A História se apaga
E se repete

DOZE
A cultura do trabalho
É invenção do sistema
Não se pode ser feliz
Não se pode disso falar
É preciso trabalhar
Até a morte chegar...

TREZE
Idiotas
Só sabem copiar modismos
O modo de viver de outros povos e culturas
São especialistas em serem aquilo que não são

QUATORZE
Todos nós em algum momento queremos nos esconder
Inclusive de nós mesmos
Mas ter que medir as palavras cansa
Fingir para nossos amigos estrangeiros que o brasileiro vai bem
Porque o Brasil está sempre na mídia, bombando como se diz por aí
Não é para mim
O Brasil não é somente o país da Copa e das Olimpíadas
É também a nação dos brasileiros escravos
Das novas e velhacas elites, do povo sem teto, violento e corrupto
De uma classe política corporativa e cruel
Apesar do povo trabalhador, honesto e solidário
Temos também muitos ladrões e gente que adora "um jeitinho"
E que sofre cantando, sorrindo, tomando cachaça e antidepressivo...

QUINZE
Estranhas são as pessoas. Gostam de reverenciar os mortos
Negam-lhes o reconhecimento em vida
Falta o hábito e a coragem para dizer

Você é um excelente profissional
Sobram-lhes qualidades
Suas habilidades me surpreendem...

Preferem ir ao velório
E lá proferirem os seus discursos
Repletos de elogios pomposos

DEZESSEIS
Deixem-me ficar por aqui
Ainda há muito para fazer
A vida faz ótima parceria comigo
Gosto do que ela oferece

Das suas tantas contradições
Dos seus tantos segredos
Da sua gente e natureza
Acho que ainda posso muito contribuir

Para diminuir o medo, a angústia
A estupidez dos homens
A destruição que este cria...
Mereço esta chance

Trabalhando para não roubar


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PENSAMENTOS SOLTOS

Elétrico
Porto, Abril de 2011

PENSAMENTOS SOLTOS
Celso de Lanteuil
Inspirado no Livro dos Abraços
De Eduardo Galeano
Lisboa, 04/10/2012
 
UM
Sou muitos abraços
O abraço apertado
O abraço impedido
E aquele esquecido
 
Sou o abraço partido
O que não chegou a ser
O abraço distante
Que o exílio esconde
 
DOIS
Não há exílio
Que apague
A memória
De uma vida
 
TRÊS
O bom senso da hierarquia
Quase sempre é uma merda
 
QUATRO
Os índios não são superheróis
 
CINCO
O esquecimento e a ignorância
São muito parecidos
 
SEIS
Não há borracha
Ou aspirador de pó
Capaz de limpar
A sujeira da nossa história
 
SETE
A liberdade assusta
É para quem sabe ser livre
 
OITO
Para escapar da realidade
E da dor que ela produz
O homem inventou a superficialidade

Vitrine de uma loja de roupas e artigos em geral
Serra do Gerês, 08/2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Road to Zimmerman

Bob Dylan L'Explosion Rock 61-66
Cite de La Musique, Paris, 07/03/2012

ROAD TO ZIMMERMAN
Celso de Lanteuil, Lyrics and song
Rio, 11/04/2011
To one of my heros

Have you ever realized, you're developing a stupid mind?
Can you see the exits in the road that leads to a false paradise?
Are you able to show some control, when the politician says he knows?
Are you capable of some kind of mercy, when this thief stabs your soul?

REFRAIN
No compassion at all
No ladder to heaven
No pity to show
No blood to share

Are you still locked in this thought?
Can you find a meaning for life?
Are you lost in this mist of dreams that tease you and keep you tied?
Have you played good samaritan today or did you take the faith of a mate?

REFRAIN
No compassion at all
No ladder to heaven
No pity to show
No blood to share

An important moment
Paris, 07/03/2012


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

VAMPIROS

Entrada de um restaurante em Santiago de Compostela
Galícia, 11/2012
 
VAMPIROS
Celso de Lanteuil, Letra e música
Ernesto Paim, música
Rio, 29 04 2011 
 
(Som de tambores)
Você não quer cantar
Você não tem fé
Você não sabe brincar
Você come plástico!
 
Você não bebe água
Você não toma banho de Sol
Você não sabe beijar
Você não sabe sofrer por alguém!
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas
 
(BIS)
São os bichos que comemos
 
Nos escritórios, em família, onde for
Engolimos vivos os nossos irmãos
Tudo para continuar adiante
Tudo para continuar adiante
E recomeçar no amanhecer
E recomeçar no amanhecer
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas
 
(BIS)
São os bichos que comemos
 
REFRÃO
Vivemos da vida
É o que sabemos fazer
Seja por instinto, hábito, crença ou prazer
Comemos a vida que nos rodeia
Na geladeira guardamos nossas guloseimas

São os bichos que comemos...


domingo, 18 de novembro de 2012

AFOBADO

Agra, caminho para o Taj Mahal, 12/2011


AFOBADO
Celso de Lanteuil
Porto, 17/11/2012

Afobado
Afobado para viver
Esbarrando, tropeçando
Correndo para não deixar de ver

Afobado. Afobado para tocar
Sentir e respirar. Segue passo apressado
Nas encruzilhadas
Diante das portas que se abrem e fecham

Entre o ir e o vir
Inconformado
Querendo decidir
No meio das regras e da estupidez

Sem parar
Sempre afobado
Tentando agarrar
E não deixar escapar

Luz, pensamento
Aquele instante, torná-lo impressionante
No descompasso. Disforme
Possível e improvável. Pequeno e eterno

Neste absurdo mundo das contradições
Passando pelas liberdades e prisões
Pelos derrotados e os campeões
Da lamúria ao gozo, da lâmina que mata e cura

Nestes opostos que nunca se veem
Dos que se doam, dos que se vendem
Aqueles que enxergam mas nunca sentem
Os que valem bilhões e os escravos

Afobados vamos seguindo
Para recuperar o minuto passado
Com a crença e a descrença, a paz e o horror
Sendo bárbaro, sendo amor

Próximo ao pedágio de Gurgaon, New Delhi, 11/2011

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

TEMPO APRESSADO

Registro histórico feito por Nick Ut (AP), guerra do Vietnam  
Durante e após a explosão de bombas napalm
Museu de Ciência de Londres, 2012  

TEMPO APRESSADO
Celso de Lanteuil
National Gallery
Londres, 05/11/2012
 
Tudo passa. Avião, invenção
Nuvem negra, solidão
Tudo passa bem veloz
Tua história, tua voz
 
Uma estrada é o que tens
Com saídas e conexões
Tudo voa, vai e vem
Corre rápido, nem se vê
 
É da vida, coragem
É a vida, vadia
Que se vive, na gula
E nos leva, com ternura. Ou não
 
Na cabeça, nas viagens
Nessa terra, noutro tempo
Tudo passa. Fraude, pulmão, ave, furacão
Microvida, inveja, ambição, imensidão
 
Que se enxerga. Que se toca
Invisível. Indivisível
Tudo passa nessa vida. Joia, roupa, conquista
Guerra, festa, saber, moda, poder
 
É da vida, a fúria. É a vida, do medo
Que nos leva, lutando
Nesse tempo que esfarela
E não consegue permanecer
 
Vai adiante tempo ágil
Mudando por onde passa
Passado, presente e futuro
Vai moldando, ajustando
 
Refaz, apaga
Reconstruindo
Sempre seguindo
Em todas direções
 
Leva a arte, qualquer arte
De fabricar, articular, pintar, costurar e moldar
Da estratégia de mal dizer, de guerrear
Do invento de matar e curar
 
Leva tudo por onde passa
Infecção, flor, melancolia, fé, adoração
Amor, imaginação, formação, educação
Gentileza, agressão, pedra, rio, vulcão
 
Só nos deixa o que fomos
O que fizemos e deixamos por fazer
Que se mistura na terra, no ar
Nessa vida que não sabemos explicar

Ponte do Século 14 que cruza o Rio Lima
Este deu origem ao nome da vila mais antiga de Portugal
Ao final desta ponte, outra menor do século 1, construída pelos Romanos


MÚSICA NO AEROPORTO

Musicians in Boston make people's life easier
21/10/2012
MÚSICA NO AEROPORTO
Celso de Lanteuil
Porto, 02/11/2012
Enquanto aguardava o embarque no aeroporto do Porto
Hugo Lopes no Sax e Miguel Pedrosa na Guitarra
Tornavam a espera em obra de arte

Tap, tap
Tap, tap
Goes smooth
Rhythm of the soul
A pair of shoes
 
Tap, tap
Tap, tap
Rolling in the air
Dancing with no care
The eagle of the blues
 
Tap, tap
Tap, tap
Cinderella of a dream
Melody of life
Like a flower and a bee
 
Tap, tap
Tap, tap
The orchestra of the nature
The song that makes us dance
An endless path, never the same

A musician delivers his soul at the metro station
Boston, USA

terça-feira, 13 de novembro de 2012

JOÃO VEM AÍ

Aimé-Jules Dalou, 1873
Peasant Woman Nursing a Baby
Victoria and Albert Museum, London
 
JOÃO VEM AÍ
Celso de Lanteuil
Lisboa, 24/10/2012
O meu sobrinho neto está chegando...
 
O amor faz milagres
Ele nasce onde menos se espera
Nos envolve sem se fazer notar
Cresce como um feto
 
Cria braços, pernas, dedos, coração
Ele nos abraça na hora certa
Quando nossos planos falharam
Não desiste nunca
 
O amor é paciente para aprender
Enfrentra o medo, a intolerância, a doença
Resiste quando necessário
Mesmo nas questões materiais e morais
 
Ele pede muito de nós
Mas tem esse direito
O amor é arma poderosa
Vence batalhas impossíveis
 
Destroi a tristeza, cura, constroi
Educa, faz nascer
É guarda costas para qualquer ocasião
Em troca, nos pede atenção

Jovens senhoras numa caminhada matinal
London Town

To JFK and BOB KENNEDY

JFK LIBRARY
Boston, October 2012

To JFK and BOBY KENNEDY
Celso de Lanteuil
Boston, 22 of October 2012
 
What a coincidence!
Right after writing these thoughts I had the chance to visit the JFK Library in Boston
There I learned a little bit more about democracy
That’s the reason I dedicate these few words to the brothers, with great respect
 
Lean on me and brought me your fears
Give me your failures and concerns
I will heal your wounds, help you with my hope
Wet your flowers
Clean your soul from the pain
 
I will give you my dreams
Music and lyrics, my best poetry
Good reasons for living
Build a future with dignity
And share with you what I love most
 
The harsh your life becomes
The more we will renew our strength
And increase our stamina
Struggling for peace
Freedom and democracy   

JFK LIBRARY
Boston, October 2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

OUTRO TEMPO

Criança de rua em Antananarivo
Madagascar, Março de 2012
OUTRO TEMPO
Celso de Lanteuil
Ilha da Praia – Lisboa 24/10/2012
  
Houve um tempo em que eu voava sem saber
Olhava sem enxergar
Tocava sem sentir
Ouvia sem escutar
Sentia sem perceber
 
Época em que pensava fossem as horas só minhas
Quando eu entendia somente o que via e encostava
Sonhava sem compreender
Foi-se o tempo em que eu brincava e era feliz
Vivia sempre por um triz, deixando a vida seguir
 
Então certo dia o meu riso mudou
Foi a seriedade do viver
Ele me fez aprender
Há tempo para cantar
Trabalhar e lutar
 
Hoje eu tento encontrar aquelas horas
Que ficaram bem lá atrás
Nos braços da minha inocência
Onde conheci gente, aprendi a amar e sonhar
Tempo que me leva a insistir e desejar mudar
 
Trabalhando desde o colo

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

BEM NO MEIO

BEM NO MEIO
Celso de Lanteuil
sobre fotografia de multidão, aula da Mestra Ninfa Parreiras
Estação das Letras, 23/01/2003
 
Mensagem de Robert F. Kennedy
JFK Library, Boston

Impossível não sentir um aperto no peito
Perceber a vontade
Entender a necessidade
Saber o porque
 
Pensei em desistir
Em largar tudo para lá
Pois no começo éramos poucos
Mas sonhávamos com convicção
 
Talvez tenha sido essa a nossa maior força
Então vieram outros a saber o que estava acontecendo
E muitos outros mais se aproximaram de nós
Queriam descobrir por que estávamos com tanta vontade
O que nos animava tanto
 
Alguns perguntavam o que ganhariam com tudo aquilo
Que garantias receberiam...
Quando de nós ouviam que as vantagens não eram imediatas
Que o lucro não era em moeda
Corriam
 
Corriam para o outro lado
Corriam para bem longe
E nos maldiziam, nos atacavam
Que absurdo!
Que luta é essa que não dá dividendo?
 
Mas ainda assim, insistimos
Mostramos que o amanhã bom, é bom para todos
Que segurança boa, é aquela em que todos podemos ir e vir
Sem medo
E que enquanto há resistência existe esperança
 
Com fome, a vida é prisão
Seja fome de pão
Fome de teto, de amor
De sonho
Fome de trabalho e profissão
 
O tempo passou
Quando me dei conta
Lá estava eu no meio daquele povo
Sem enxergar a outra ponta
De tanta gente presente, de tanta gente...


Um pedaço do muro de Berlim
Peça símbolo da força da democracia
Doada ao Museu JFK, 10/2012