Texto de Carlos Drummond de Andrade musicado por Paulo Diniz
Impressões, recados mal criados, desabafos, saudades soltas em palavras. Este é o meu canto que também pode ser seu. Os textos, as músicas e fotos são de autoria de Celso de Lanteuil e só poderão ser copiados e divulgados com a autorização do mesmo.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Sobre quem ainda somos
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Conversando
com DaMata
Celso de LanteuilWorld Press Photo, 06 of June 2013
Amigo DaMata,
Para ser franco, as coisas por aqui continuam muito parecidas
As pessoas pouco mudaram
Não importa a nacionalidade, raça, cultura ou credo
Elas não suportam enxergar a realidade que machuca
Preferem o nascer do Sol, a primavera que chega
Bebês a sorrir, namorados a caminhar de mãos dadas
A água da lagoa que acolhe uma família de patos...
Eu também sou um pouco assim
Tenho essa vocação para celebrar e admirar a beleza que existe na vida e no viver
Gosto de sorrir e cantar
Observar estrelas, ondas a quebrar
Ver coelhos a correr nos gramados
Buscar a felicidade e nela me agarrar
Só que há ocasiões que é preciso atenção e cuidado naquilo que se diz
E na forma como vivemos
Em respeito a vida
Para se respeitar o próximo
O sucesso de alguns não é a felicidade de muitos
A paz que acalma uma nação não é a garantia da tranquilidade de outros povos
O conforto que experimentamos, a riqueza de uns poucos
Não impede a vida de seguir numa constante explosão de distorções
Onde a fome, o medo e o sofrimento são as únicas realidades a se tocar
Por isso lhe digo amigo
As coisas seguem bem semelhantes dos tempos em que por aqui viveu
Continuamos a perseguir bundas, peitos e labios
Paramos diante do espelho para analisar rugas, celulites, estrias
E o que podemos fazer para recuperar o tempo que passou apressado
Usamos pulseiras, brincos, argolas e colares
Pintamos os cabelos, implantamos cilicone para aumentar os seios
Fazemos cirurgias para diminuir a barriga e outras loucuras para perder peso
Queremos ter um
pau ainda maior!
Dirigir
Ferraris, usar relógios de 10.000 pounds Morar em casas com 20, 50 quartos
Beber vinhos de 3.000 euros
Vivemos assim naturalmente
Sem perceber, queremos comer e beber ainda mais
Quando fartos, largamos a mesa cheia de restos
Sobras que fariam a festa de tanta gente
Meu amigo, ouve
um tempo em que acreditei que evoluíamos
Certas
liberdades conquistadas, muros derrubados Transplantes que nos permitiram viver mais e melhor
O início da conquista do espaço e os avanços que vieram a reboque
Foram tantas inovações!
Novos telescópios, lentes, alimentos hidratados, computadores
Robôts mais inteligentes, microscópios de alta resolução
Bicicletas ergométricas, esteiras para mantermos a forma
Satélites, inerciais, GPS, LCD e mais, muito mais
Houve um momento que essa tecnologia me seduziu e pensei
Esse homem vai crescer. Ele vai aprender a equilibrar, a cuidar e a corrigir
Mas volta e meia descubro que andamos para trás
Parece que aquela vocação primitiva
Nossa velha tradição de resolver tudo com sangue nas mãos e coração
Não nos deixa amadurecer em paz...
Então basta o acaso para nos fazer olhar de outra forma esse Sol que volta a nascer
Num
piscar, proliferam favelas, valas negras e mais trabalhadores a dormir pelas
ruas
Entregamos num sinal nossa liberdade para pagar um viciado em ódio
Assistimos outros
vícios surgir A justiça se apropriar dos nossos direitos
O pior dos políticos receber honrarias de estado
Uma população tornar-se refém de políticas assistencialistas
Eleitores serem obrigados a votar sem convicção
E falar nessas coisas faz a intransigência surgir
Rompe a fina parede que separa direitos, que impede o olhar crítico
Logo amigos nos chamam de legalistas, radicais, inimigos ou pessimistas
Dizem que estamos cegos porque perdemos os empregos
Porque levaram nosso fundo de pensão
E nem a indenização do trabalho conseguimos obter
Mas nossa intolerância tem direção
Somos assim porque paramos para observar, ler, analisar, pensar e sentir
Porque não aceitamos cuecões, mensaleiros, sindicalistas pelegos
Anarquistas, nem golpistas
Amigo DaMata, lembra daqueles sujeitos com duas caras que um dia sobre eles conversamos
Continuam por perto a defender o sustento deles em cima das nossas mortes
Se cuida aviador, porque aqui na Terra ainda precisamos de corpos para existir!
Será que algum dia isso muda?
Photo by Ebrahim Noroozi
1st Prize Observed Portraits Stories,
World Press Photo 2013, Amsterdam
selected among 103.481 images
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Brasil tenta mudar nas ruas...
A
RUA É NOSSA
The poor and money, 1882
Van Gogh Museum
Brasil tenta mudar nas ruas...
Celso de Lanteuil
Em algum lugar do globo, 25-06-2013
A rua é nossa!
Não há gás, spray pimenta
Truculência que nos cale a voz
Chega de promessas eleitorais
Queremos mais e melhor, grita o povo
Padrão FIFA nas escolas, transportes e hospitais
Serviços, tarifas, segurança
Cidadania de primeiro mundo...
Brasil sem favelados, escravos e explorados
Cura para os políticos já!
Reforma na casa maior. Faxina na política nacional
Parlamentar com salário e nada mais
Queremos nossa identidade. Sermos menos desiguais!
Nas oportunidades, na aposentadoria
Justiça para todos. Juízes e politicos ficha limpa...
As ruas pedem mudanças. Por toda parte o povo clama
O recado está dado, é também para nós
Contra as práticas do toma lá da cá
Contra o silêncio das conveniências
Brasil para todos
Pessoas, a razão dessa nação
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
GREVE DE FOME DO JOSÉ MANUEL
Foto do fotógrafo Paulo Resende
GREVE
DE FOME DO JOSÉ MANUEL
José Manuel faz greve de fome no aeroporto
Santos DumontCelso de Lanteuil
Algum lugar do globo, 11 de Agosto de 2013
Um homem tenta chamar atenção
Corpo idoso, cansado de esperar
É cidadão brasileiro
Já teve importância na construção do país
Trabalhou na VARIG. Produziu, gerou riqueza
Fez o Brasil atravessar o planeta
Ele não acredita nas autoridades
Não vê sentido nessa nação
De um lado beleza, riqueza, saúde e risos
Do outro o frio da indiferença
Ele faz sua greve de fome
Desesperado ato para chamar atenção
Não quer favor
Não quer perdão
Não deseja inspirar compaixão
Quer o que lhe é de direito
O investimento da sua previdência
A garantia do seu AERUS
Já se vão mais de sete anos
Desde então, muitos colegas morreram
Ele vendeu o patrimônio
Doou seu melhores anos
Por isso faz greve de fome
Não quer virar estatística desse enorme descaso
José Manuel quer chamar atenção
Corpo idoso, cansado
Não quer favor, não deseja inspirar compaixão
Prefere a morte digna no saguão do Santos Dumont
segunda-feira, 20 de maio de 2013
MINHA PERSONAGEM
Entrando em terras espanholas após cruzar o Golfo de Vizcaya
Maio de 2013
MINHA PERSONAGEM
Celso de Lanteuil
Rio de Janeiro, 05 de Abril 2013
Ouvindo Creedence Clearwater Revival
Minha personagem é uma novidade
Anda de passagem
Não se faz notar
É da Terra, tem raíz em qualquer lugar
Compreende muitos idiomas
Se entende bem com quem quer falar
Tem vocação para se adaptar
Acha que o céu é azul para todos!
Nesse ir e vir, descobre o mundo
Uma terra disforme, irregular
Apressada, povoada e usada
Conhece o outro lado, ainda virgem
Sabe que existem diferenças
Enormes distâncias separam
Homens, animais, vegetais
Minerais e outros mais
Seu olhar não deixa nada escapar
Vê o agora, passado e amanhã
Enxerga quem fomos, quem somos
Imagina quem poderemos ser
Se assusta com a altivez dos homens
Sua angústia, medos, desejos e saber
Minha personagem tem medo
Dos horrores que nascem e amadurecem
Da sujeira que cresce e não desaparece
Dos desperdícios
Do indisfarçavel ignorar
Grita socorro, mas não sabe quem procurar
Diante da miséria que se alastra
Da violência que desta nasce
Da ignorância que aumenta
E faz nascer exploradores e escravos
Face a face com fanáticos alucinados
Consumidores desvairados
Governantes aloprados
Ela chora...
Senhora atravessa uma rua em Lagos, Nigéria
Fevereiro de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
UMA CRIANÇA
Crianças jogam bola descalças
Cidade Velha, Ilha da Praia
Cabo Verde, 04 de Maio de 2012
UMA
CRIANÇA
Celso de LanteuilPorto, 28 de Outubro de 2012
Uma criança diz
Você é infeliz!
O pai responde
Bobagem sua
Ela insiste
Eu sei porque
Ele pergunta
Por que?
Sem vacilar
Conhecedora do assunto
Conclui
Você só sabe trabalhar
OUTRA CRIANÇA
Celso de Lanteuil
Porto, 28 de Outubro de 2012
Olha pra a mãe e reclama
Você não gosta de mim!
A mãe reage dando atenção
Faz carinho
Fala com beicinho
A menina não quer saber de explicação
Esperneia, chora sem razão
A mãe pondera, explica
Tenta de outro jeito
Nada da resultado
Ela grita mais alto, chora outra vez
E repete, você não gosta de mim!
Hora do recreio
Cidade Velha, Ilha da Praia, Cabo Verde
354 CANVASES
The Holy Family, 1634
Rembrandt van Rijd
THIS IS REMBRANDT
354 CANVASESCelso de Lanteuil
Colour, shadow and light
Fear, pain, swords, arrows
A head decapitated
Turbans, self-portrait
Emotional states in front of the mirror
To better understand the expression of man
The praying woman, the soldier
The Apostle Paul in prison
The bust of an old sir, the Good Samaritan
Andromeda, Simeon’s song of praise!
David with the head of Goliath
Jeremia lamenting the destruction of
An old woman reading
The raising of Lazarus
Samson betrayed by Delilah
The power of imagination
An amazing spatial orientation
The inevitable atmosphere is created
Combined, light, shadow, colour and soul
The portrait of so many
Men, women, Princes…
The anatomy lesson of Dr Nicolaes Tulp
King Uzziah with leprosy
The rape of Europa
A bachelor
Nymphs bathing with Diana
Another self-portrait, again, again and again
Christ in the storm, suffering on the Cross
Entombment
Resurrection and ascension
The abduction of Ganymede
A beautiful boy took by Zeus to
Into an eagle’s shape!
Abraham’s sacrifice
Philistine soldiers blind Samson
Flora, Minerva, a man in oriental dress
Young wife Saskia
Maria on a trip
Another portrait, again and again
The night watch
A huge canvas, one of so many
A slaughtered ox
Different faces, landscapes
Angels, glory and disgrace
A history of studies
Time makes us realize
How essential art it is
For the evolution of man
Representing reality
Samson overpowered by the Philistine soldiers
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