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segunda-feira, 13 de abril de 2015

PRECE PARA EDUARDO GALEANO

PRECE PARA EDUARDO GALEANO
Celso de Lanteuil
Rio, 13 de Abril de 2015

Deus que está em todos os cantos
A lucidez de cada dia nos oferece hoje
Perdoai nossa pequenez
Assim como perdoamos aqueles que pensam tudo saber

Nessas incontáveis formas de vida e viver
Venho a ti te pedir
Encaminhe essa luz que nos escapa das mãos
Essa morte que é de todos nós

Pois morre a humanidade um tanto mais
É o Eduardo Galeano que se vai
O pensador das questões humanas
Que interrompe suas impressões e inquietações

Menos saberemos sobre a estupidez dos soberanos
E de seus ridículos subalternos
Dos intransigentes, daqueles gulosos pelo poder
Destes, conheceremos apenas o trivial...
 
A essência, ficará nas Veias Abertas dessa América por se construir
Do seu povo e da sua dor, ficaremos com seu depoimento
Páginas que a sensibilidade do pesquisador registrou
Ao contar a história do perdedor, na voz e intuição de quem ousou
 

Vaya com Dios! 

 

sábado, 21 de março de 2015

Tempos de Corrupção e outras coisas

MATÉRIA PRIMA
Tempos de corrupção e outras coisas
Celso de Lanteuil
Rio, 16 de Março de 2015


Essa matéria prima
Que na alma se forma tão diferente
Molécula de povo aprendiz
Na luta para se fazer livre e feliz


Este alienado, ou fanático
Intransigente que vive da negação
Ou aquele cujo excesso de tolerância
Permite o absurdo sem o questionar


Essa diversidade tão rica
Que é malandra e inocente
E aposta sem pestanejar
Na gente que mente sem parar

E desse adubo que fica
Uma composição singular
De cheiro forte que marca
A qualidade de um povo que cresce


Ora cansado de tanto trabalhar e pagar
Esquecendo a experiência passada
Confundindo trapaça com desamor
Desistindo em não ir à essência


Assim não compreende
Que nem todo homem é messias
Poucas vozes são as de um salvador
Mas sim de um tipo safado, um craque em ludibriar

E essa matéria densa se molda
Feita de uma história que poucos conseguem lembrar
Preguiçosa de querer entender e vontade de modificar
Logo os fatos se perdem, diante de todos nós

Surgem definições, para justificar o que não se pode explicar
Esquerda, Direita, Centrão se misturam
E ninguém explica direito, quem matou Trotsky
Se a Direita raivosa, ou a Esquerda de Stalin, o grande irmão...  

 

 

 
 

 

 

 

  

 

segunda-feira, 16 de março de 2015

QUE POVO SOMOS NÓS?


QUE POVO SOMOS NÓS?

Celso de Lanteuil
Rio, 15 de Março de 2015


Nosso povo é uma grande mistura
Nasce e cresce de muitos jeitos
Experimenta de tudo um pouco
Uns vivem pela metade, outros vivem por inteiro


Esse cidadão, é o que há de melhor e pior
Alguns seguem politizados, outros muitos, uns alienados
Convivem entre nós, algozes, democratas e outras coisas mais
E nessa mistura confusa, não sabe bem o que faz

Conservadores, reacionários, trabalhadores, malandros
Há de tudo um pouco, nesse “muitos” que é o brasileiro
É o fascista, o ético, egoísta, altruísta e o intolerante  
Que ora se esconde, ora se revela, conforme a hora e lugar  


Trinta anos depois dessa nova democracia
Esse dócil e violento, acomodado e revolucionário
Nosso povo ainda mata por um gol
Briga por uma sigla, estrangula por estupidez


E se divide tudo o que tem
Ou doa seu melhor dom
Também trai como ninguém
Numa rotina que nunca tem fim


Que coisa interessante esse povo tupiniquim
Que canta todos os tons e dança tantos ritmos
Mas rouba o próprio irmão
E ao discursar, diz que vive para te proteger


Então quando a cidadania reclama
Cansada da demagogia, que mente, mente e mente
Salvando da enchente um pingo de gente
Num maremoto de merda que avança indiferente


Mistura de populismo, corrupção, mordomias, politicagem e desrespeito
Nessa realidade absurda, criada para proteger
Uma classe que jamais se movimenta
Para esse status desconstruir


Fico imaginando, qual será o destino desse brasileiro
Que tem a identidade múltipla e o pensamento tão diferente
Por vezes sendo um bicho guloso, que luta e vive somente para si
E esquece que é parte de uma nação, alguém importante nessa construção

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DIA D de Drummond

(com atraso)
Texto inspirado no poema HERÓI, pág. 18, 
Carlos Drummond de Andrade, Edições BestBolso
Nova Reunião, 23 livros de poesia Volume 3

Foto de arquivo pessoal
Norte de Portugal

(Regressa da Europa Doutor Oliveira...)


HERÓI, SEM DIPLOMA
Celso de Lanteuil
Braga, 28 de Setembro de 2010

Voou os sete ares
Conheceu gente!
Pratos, casas, idiomas e cores
Dores e prazeres
Viajou mais longe
Do Oiapoque ao Chuí
Do Japão
A Moçambique

Levou calote de Juiz
E de muitos outros
Aprendeu mágicas para prosseguir
A escavar alma em pedra

Suas asas abriram portas
Fez amigos e inimigos
Conquistou amores, esquinas, medos
Virou Doutor da vida

Atravessou tempestades
Lagos, bares, estradas e montanhas
Descobriu que modismo é bom para quem vende
Em Portugal, se deu conta que está renascendo


domingo, 15 de fevereiro de 2015

SEGURANÇA MÁXIMA

Artista de rua
Holanda, Leiden, Setembro de 2013

SEGURANÇA MÁXIMA
Celso de Lanteuil
Rio, Julho de 2002

Você está sendo observado
Sorria, você está sendo filmado
Para sua própria segurança, monitoramos seus passos
Filmamos a entrada da portaria, garagem e corredores

Controlamos todos os movimentos. É para seu benefício
No elevador não fica bem meter a mão no nariz
Mesmo se estiver sozinho
Olhar fixamente no espelho pode parecer vaidade em excesso

Coçar as partes íntimas não é boa etiqueta
Inconveniente procurar conversa com mulher casada
Pode ser que ela goste, pode ser que você goste
Imagine se alguém descobre...

Você está sendo filmado
Sorria e arrume o cabelo
O exibicionista adora, sabe que é sua hora de camarim
Mas não é todo mundo que tem veia de artista

Ajeite o cabelo. Eu não gosto desse corte madame!
Prefiro o penteado da semana passada
Esta roupa não lhe cai bem
O vermelho combina com sua pele

Bem que esse sistema poderia ter alto-falante
Assim iria lhe sugerir outro vestido
E corte de cabelo
Até mesmo melhor companhia

Este morador é muito antipático
Anda sempre de cara amarrada
Imagino o que se passa naquela cabeça, mas não consigo lá entrar
Trata-se de um sistema de segurança falho 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

ANTES DO JOGO

Foto tirada de imagem da TV
Smartphone
 
ANTES DO JOGO
ou O BRASIL NÃO É DOS POLÍTICOS
Celso de Lanteuil
Jeddah, 4 de Julho de 2014
Antes do jogo Brasil 2X1 Colombia
 
Meu coração
Distante e calado
Ensaia um compasso
Verde, azul, amarelo
 
Raízes invisíveis atravessam oceanos
História, pensamento
Movimentam o tempo
Que volta suave na forma de um gol!
 
Minha mãe gentil
De longe me chama
Quer um reencontro
De celebração
 
Me levar pelas mãos
Para outros gramados
Largar o meu corpo descalço e moleque
Correndo matreiro com a bola no chão
 
Assim sigo sendo um pouco criança
Que a hora envelhece mas não enfraquece
Com o sorriso de outrora
Que não foge da lembrança
 
E ainda que meu povo mereça outra sorte
Mais sólida voz que um grito de gol
Eu canto outra vez e outra, e outras
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor

 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Todos estão surdos


A caminho do Taj Mahal, Agra
India, Dezembro de 2011
 
TODOS ESTÃO SURDOS
Celso de Lanteuil
Porto, 15/01/2010
Letra e música
 
E você caça
E você laça
E você traça
E tudo passa
 
A voz abraça
A mão amassa
Os pés descalços
A pele esgarça
 
REFRÃO 1
Pula, pula, pula, pula, pula, pula, pula se não queima
Corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre ou explode
Grita, grita, grita, grita, grita, grita, grita ou consente
Foge, foge, foge, foge, foge, foge, foge ou sacode
 
A vida é quente
Ela é presente
Olhe de frente
Seja vidente
 
A bola rola
A cola prende
A terra suja
Haja semente                    
 
REFRÃO 2
Cala, cala, cala, cala, cala, cala, cala ou transforma
Faça, faça, faça, faça, faça, faça, faça ou disfarça
Guarda, guarda, guarda, guarda, guarda, guarda, guarda ou despacha
Cuida, cuida, cuida, cuida, cuida, cuida, cuida ou esquece
 
E você caça
E você laça
E você traça
E tudo passa
 
A voz abraça
A mão amassa
Os pés descalços
A pele esgarça
 
A vida é quente
Ela é presente
Olhe de frente
Seja vidente
 
A bola rola
A cola prende
A terra suja
Haja semente                   

REFRÃO 1
Pula, pula, pula, pula, pula, pula, pula se não queima
Corre, corre, corre, corre, corre, corre, corre ou explode
Grita, grita, grita, grita, grita, grita, grita ou consente
Foge, foge, foge, foge, foge, foge, foge ou sacode