Follow by Email

domingo, 13 de março de 2016

HERÓI TUPINIQUIM

 
Show do Tom Zé no Rio de Janeiro
Teatro do SESC, Junho de 2015
 
HERÓI TUPINIQUIM
Celso de Lanteuil
Rio, 17 de Junho de 2015
 
Pensei em eleger um herói
Herói desse povo da terra Brasil
Fui lá atrás e me lembrei do Ahanguera
Do último dos Tamoios, Tupis e Tupinambás
 
Quem sabe poderia ser Calabar, Joaquim José da Silva Xavier
Zumbi dos Palmares ou Antonio Conselheiro
Ou esse nome qualquer que se perde na multidão
E no anonimato da vida, constrói essa nação
 
Mas tenho que escolher um nome, nessa lista que não termina mais
Poderia ser Padre Cícero, Luiz Gonzaga, o Gonzagão
Aquele que voou como um pássaro, o Alberto Santos Dumont
Quem sabe Manuel Seixas que lutou pela abolição
 
Fico zonzo só de lembrar, na quantidade de gente que há
Que vai atravessando o tempo sem sua marca apagar
Resolvi escolher um nome, para nesses versos celebrar
Sem pretender eleger o melhor, mas sim uma força nacional
 
Vai ser alguém que de inventor tem de tudo
Cuja a cabeça, frequenta o amor, a paz, a alegria de festejar
Porque nem mesmo sei, se é possível se classificar
Alguém como esse tipo, um artista da revolução

Um poeta bicho do mato, um ícone da libertação
Porreta, arretado, simples na sua tradição
De pensador criador, de um mundo com inspiração
Não é Caetano, Millôr, Éder Jofre, nem Maria Ester Bueno
 
Também não é Machado de Assis, João do Pulo, ou Leila Diniz
Poderia ser o Fio Maravilha, Dida, Silva, Gerson, Garrincha, Zico, Zéquinha ou Pavão
Quem sabe o Biriba, Villa Lobos, Barão de Mauá ou Oswaldo Cruz
Talvez um Chico Xavier, o médico Zerbine, a valente Chiquinha Gonzaga
 
Mas meu herói de hoje é do palco, do povo, da arte, da mente
É um “Pirulito da Ciência”, um Bandeirante libertador
Que quando canta transcende, música, filosofia, encanto, revolução
Esse nome é Tom Zé e fico hoje por aqui

O EDITOR

Livreiros, editores e autores, sabem resistir
Palácio de Cristal, Feira do Livro. Porto, 2015
O EDITOR
Celso de Lanteuil
12/11/2015

Bom se descobrir
No meio de tantas pessoas perdidas
Afoitos em busca de uma felicidade rápida
Carentes por uma matéria qualquer
Seja jóia, grife, avião, qualquer tipo de ostentação

Que existe também uma outra gente
A trabalhar sem parar
Garimpando na escuridão
Até achar essa luz que pode guiar
Nos levar para outros lugares

E lá nos largar, a correr e voar, a brincar e cantar
Sofrendo, lutando, fugindo
Dos medos, das dores
Arriscando abraços e sonhos
Errando para um dia acertar

Acertando as palavras
Que quando se juntam, nos ajudam a avançar
E enxergar um pouco mais na frente
Sendo poeta ou não
Tudo isso por uma missão

Porque entre tantas profissões
Das mais variadas vocações
Foi escolher justo essa
Para nos fazer querer mais
Mais saber, mais emoção

E quando nos abre os olhos
Nesses tempos de escuridão
Escrevendo, relendo, revisando
Editando sem poder parar
Faço minha homenagem, por ser você um editor








 

domingo, 7 de junho de 2015

MAIS UNS

... Alguns dias depois

MAIS UNS
Celso de Lanteuil
Rio, 20 de Maio de 2015

O Rio amanheceu em sangue
Toda cidade acordou em dor
Uma criança no Dendê
Um médico na Lagoa

Eles sangram até morrer
O choro está em todo canto
A terra que cobre os corpos é a mesma
Muda o preço do caixão

Qualquer valor vale a violência
Bicicleta, tênis usado, moeda, cordão da Saara
E muda a arma de mão em mão
Só não muda o medo



segunda-feira, 13 de abril de 2015

PRECE PARA EDUARDO GALEANO

PRECE PARA EDUARDO GALEANO
Celso de Lanteuil
Rio, 13 de Abril de 2015

Deus que está em todos os cantos
A lucidez de cada dia nos oferece hoje
Perdoai nossa pequenez
Assim como perdoamos aqueles que pensam tudo saber

Nessas incontáveis formas de vida e viver
Venho a ti te pedir
Encaminhe essa luz que nos escapa das mãos
Essa morte que é de todos nós

Pois morre a humanidade um tanto mais
É o Eduardo Galeano que se vai
O pensador das questões humanas
Que interrompe suas impressões e inquietações

Menos saberemos sobre a estupidez dos soberanos
E de seus ridículos subalternos
Dos intransigentes, daqueles gulosos pelo poder
Destes, conheceremos apenas o trivial...
 
A essência, ficará nas Veias Abertas dessa América por se construir
Do seu povo e da sua dor, ficaremos com seu depoimento
Páginas que a sensibilidade do pesquisador registrou
Ao contar a história do perdedor, na voz e intuição de quem ousou
 

Vaya com Dios! 

 

sábado, 21 de março de 2015

Tempos de Corrupção e outras coisas

MATÉRIA PRIMA
Tempos de corrupção e outras coisas
Celso de Lanteuil
Rio, 16 de Março de 2015


Essa matéria prima
Que na alma se forma tão diferente
Molécula de povo aprendiz
Na luta para se fazer livre e feliz


Este alienado, ou fanático
Intransigente que vive da negação
Ou aquele cujo excesso de tolerância
Permite o absurdo sem o questionar


Essa diversidade tão rica
Que é malandra e inocente
E aposta sem pestanejar
Na gente que mente sem parar

E desse adubo que fica
Uma composição singular
De cheiro forte que marca
A qualidade de um povo que cresce


Ora cansado de tanto trabalhar e pagar
Esquecendo a experiência passada
Confundindo trapaça com desamor
Desistindo em não ir à essência


Assim não compreende
Que nem todo homem é messias
Poucas vozes são as de um salvador
Mas sim de um tipo safado, um craque em ludibriar

E essa matéria densa se molda
Feita de uma história que poucos conseguem lembrar
Preguiçosa de querer entender e vontade de modificar
Logo os fatos se perdem, diante de todos nós

Surgem definições, para justificar o que não se pode explicar
Esquerda, Direita, Centrão se misturam
E ninguém explica direito, quem matou Trotsky
Se a Direita raivosa, ou a Esquerda de Stalin, o grande irmão...  

 

 

 
 

 

 

 

  

 

segunda-feira, 16 de março de 2015

QUE POVO SOMOS NÓS?


QUE POVO SOMOS NÓS?

Celso de Lanteuil
Rio, 15 de Março de 2015


Nosso povo é uma grande mistura
Nasce e cresce de muitos jeitos
Experimenta de tudo um pouco
Uns vivem pela metade, outros vivem por inteiro


Esse cidadão, é o que há de melhor e pior
Alguns seguem politizados, outros muitos, uns alienados
Convivem entre nós, algozes, democratas e outras coisas mais
E nessa mistura confusa, não sabe bem o que faz

Conservadores, reacionários, trabalhadores, malandros
Há de tudo um pouco, nesse “muitos” que é o brasileiro
É o fascista, o ético, egoísta, altruísta e o intolerante  
Que ora se esconde, ora se revela, conforme a hora e lugar  


Trinta anos depois dessa nova democracia
Esse dócil e violento, acomodado e revolucionário
Nosso povo ainda mata por um gol
Briga por uma sigla, estrangula por estupidez


E se divide tudo o que tem
Ou doa seu melhor dom
Também trai como ninguém
Numa rotina que nunca tem fim


Que coisa interessante esse povo tupiniquim
Que canta todos os tons e dança tantos ritmos
Mas rouba o próprio irmão
E ao discursar, diz que vive para te proteger


Então quando a cidadania reclama
Cansada da demagogia, que mente, mente e mente
Salvando da enchente um pingo de gente
Num maremoto de merda que avança indiferente


Mistura de populismo, corrupção, mordomias, politicagem e desrespeito
Nessa realidade absurda, criada para proteger
Uma classe que jamais se movimenta
Para esse status desconstruir


Fico imaginando, qual será o destino desse brasileiro
Que tem a identidade múltipla e o pensamento tão diferente
Por vezes sendo um bicho guloso, que luta e vive somente para si
E esquece que é parte de uma nação, alguém importante nessa construção

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DIA D de Drummond

(com atraso)
Texto inspirado no poema HERÓI, pág. 18, 
Carlos Drummond de Andrade, Edições BestBolso
Nova Reunião, 23 livros de poesia Volume 3

Foto de arquivo pessoal
Norte de Portugal

(Regressa da Europa Doutor Oliveira...)


HERÓI, SEM DIPLOMA
Celso de Lanteuil
Braga, 28 de Setembro de 2010

Voou os sete ares
Conheceu gente!
Pratos, casas, idiomas e cores
Dores e prazeres
Viajou mais longe
Do Oiapoque ao Chuí
Do Japão
A Moçambique

Levou calote de Juiz
E de muitos outros
Aprendeu mágicas para prosseguir
A escavar alma em pedra

Suas asas abriram portas
Fez amigos e inimigos
Conquistou amores, esquinas, medos
Virou Doutor da vida

Atravessou tempestades
Lagos, bares, estradas e montanhas
Descobriu que modismo é bom para quem vende
Em Portugal, se deu conta que está renascendo