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sábado, 21 de março de 2020

Duas ou três gotículas


Duas ou três gotículas
 
Praça Edmundo Bitencourt, mais conhecida como Bairro Peixoto
Fevereiro de 2019, após chuvas que derrubaram mais de 400 árvores na cidade
Foto de celular Nokia 5
Copacabana, Rio de Janeiro

Porto, 21 de março de 2020
Duas ou três gotículas
Celso DL

Foram precisas, duas, três gotículas…
Imperceptíveis respingos
Um salpicar desprezível ao olhar
Borrifar contaminado pela vontade de persistir

Invisível vida, impalpável força
Cuja dimensão de seu vigor
Desarmou a todos
Donos do poder, exércitos, súditos, mentes brilhantes, desatentos…  

Foram precisas, duas, três gotículas
Incansáveis, minúsculos borrifos
Para mexer com a certeza de uma ordem
E a convicção, de toda uma organização de civilizações

Estrutura que diante dessa fria incerteza
Viu tremer suas bases
Numa progressão exponencial
A desconstruir os símbolos de uma era!

Um fluxo que deixou desmoralizada a logica que define tantas regras
As leis, as obrigações, os direitos, os acordos internacionais
Os valores morais, a ética de um povo, sua empatia, seu egoísmo
Seus costumes, aquilo que se pode ser e que se deve ter

Aquele que sairá vencedor, o outro que tudo irá perder
A roupa certa para vestir, o linguajar adequado, a etiqueta
Os ritos sociais entre pares, os protocolos entre irmãos
A hipocrisia do sorriso formal, a mentira oficial

A descoberta da fragilidade, diante de uma invisível partícula
Que chacoalhou essa intocável estrutura que a todos governa
E a fez estremecer de medo
Por pouco saber do próximo imprevisível ato

Desse ir e vir não autorizado
Que na rebeldia de prosseguir sua jornada de vírus
Segue destruindo vidas, sistemas e convicções
Pela via de duas, ou três gotículas



quarta-feira, 31 de julho de 2019

as gruas chegaram, as gruas chegaram ...

Guarulhos, São Paulo, 20/01/2013
   
01/06/2019

As gruas não param de surgir.
Ultrapassam os prédios, cercam as construções históricas
Por muito pouco não se encostam

Seus pesados e enormes braços avançam e envolvem
Arredores, centro histórico, o rio Douro
Tocam o litoral, parques, freguesias da periferia

Metal, concreto, poeira, empregos, conceitos, negócios
Passado e destino se deslocam, lucro, especulação
Progresso, retrocesso, panejamento, descontentamento

Alegria e sucesso, perdas e tristeza, se entrelaçam
E assim as cidades mudam suas feições
Se reencontram e se perdem, se modernizam e se esquecem…  


segunda-feira, 3 de junho de 2019

IDEAIS CURTAS 3

Arte de rua
Amsterdam, 05/10/2013

Celso
Porto, 31 de Maio de 2019

QUATRO
Na vida, tudo é importante e tem que ser levado a sério
Até mesmo na hora de brincar e sorrir

CINCO
A preocupação deve existir, assim como fazemos uma refeição
Mas todo excesso provoca indigestão

SEIS
Devemos estar o mais próximo possível daquilo que somos

SETE
A preocupação em demasia é inútil
Se o que tememos vier a ocorrer, teremos um problema para resolver
Se aquilo que nos tira o sono não se concretizar
Perderemos noites de bons sonhos


IDEAIS CURTAS 2



Celso
Porto, 27 de Maio de 2019

UM
O ressecar da pele, o branquear dos cabelos, as rugas
A visão que deteriora, os reflexos quando se tornam mais lentos
São ensinamentos do nosso corpo que gradativamente nos vai dizendo
“Seja sábio. Viva melhor o tempo que a vida lhe oferece”.

DOIS
A morte é inevitável. Para todos os seres vivos, há uma finitude!
Muito rico, jovem ou bem velhinho, sem moedas nos bolsos, feliz ou triste
Enfurecido, ou cheio de amor no coração, a morte sempre chega
Pelo menos dentro do conceito de vida que conhecemos
Mas não custa nunca lembrar
Se ela se esquecer de mim e me deixar ficar mais um tempo por aqui
Isso me cai muito bem

TRÊS
Talvez já tenham escrito, se não exatamente igual, de forma semelhante
Viver é correr riscos
A vida é para especialistas


Museu do Design, Lisboa
29/09/2012


quarta-feira, 29 de maio de 2019

ABRAÇADOS POR UM MOMENTO


Celso
Rio, 05/07/2015

Ontem abrimos o seu armário
Estávamos juntos e distantes
Abracei seus vestidos
Sorri e sonhei


SANGUE, MERDA, CHANCE


Celso
Rio de Janeiro, 09/08/2015

A Terra está sangrando
Ferida profunda
Sendo tratada numa enfermaria de guerra

Ambulatório precário 
Com parcos recursos 
E profissionais exaustos

Se está quase tudo uma merda
Agarro uma chance e invento um sonho
Para aguentar esse tranco, eu preciso de uma piada