Impressões, recados mal criados, desabafos, saudades soltas em palavras. Este é o meu canto que também pode ser seu. Os textos, as músicas e fotos são de autoria de Celso de Lanteuil e só poderão ser copiados e divulgados com a autorização do mesmo.
quinta-feira, 2 de abril de 2020
sábado, 21 de março de 2020
Duas ou três gotículas
Duas ou
três gotículas
Praça
Edmundo Bitencourt, mais conhecida como Bairro Peixoto
Fevereiro de 2019, após chuvas que derrubaram mais de 400 árvores na cidade
Foto de celular Nokia 5
Copacabana, Rio de Janeiro
Porto, 21 de março de 2020Fevereiro de 2019, após chuvas que derrubaram mais de 400 árvores na cidade
Foto de celular Nokia 5
Copacabana, Rio de Janeiro
Duas ou três gotículas
Celso DL
Foram precisas, duas, três gotículas…
Imperceptíveis respingos
Um salpicar desprezível ao olhar
Borrifar contaminado pela vontade de persistir
Invisível vida, impalpável força
Cuja dimensão de seu vigor
Desarmou a todos
Donos do poder, exércitos, súditos, mentes brilhantes, desatentos…
Foram precisas, duas, três gotículas
Incansáveis, minúsculos borrifosPara mexer com a certeza de uma ordem
E a convicção, de toda uma organização de civilizações
Estrutura que diante dessa fria incerteza
Viu tremer suas bases
Numa progressão exponencial
A desconstruir os símbolos de uma era!
Um fluxo que deixou desmoralizada a logica que define tantas regras
As leis, as obrigações, os direitos, os acordos internacionais
Os valores morais, a ética de um povo, sua empatia, seu egoísmo
Seus costumes, aquilo que se pode ser e que se deve ter
Aquele que sairá vencedor, o outro que tudo irá perder
A roupa certa para vestir, o linguajar adequado, a etiqueta
Os ritos sociais entre pares, os protocolos entre irmãos
A hipocrisia do sorriso formal, a mentira oficial
A descoberta da fragilidade, diante de uma invisível partícula
Que chacoalhou essa intocável estrutura que a todos governa
E a fez estremecer de medo
Por pouco saber do próximo imprevisível ato
Desse ir e vir não autorizado
Que na rebeldia de prosseguir sua jornada de vírus
Segue destruindo vidas, sistemas e convicções
Pela via de duas, ou três gotículas
quarta-feira, 31 de julho de 2019
as gruas chegaram, as gruas chegaram ...
Guarulhos, São Paulo, 20/01/2013
01/06/2019
As gruas não param de surgir.
Ultrapassam os prédios, cercam as construções históricas
Por muito pouco não se encostam
Seus pesados e enormes braços avançam e envolvem
Arredores, centro histórico, o rio Douro
Tocam o litoral, parques, freguesias da periferia
Metal, concreto, poeira, empregos, conceitos, negócios
Passado e destino se deslocam, lucro, especulação
Progresso, retrocesso, panejamento, descontentamento
Alegria e sucesso, perdas e tristeza, se entrelaçam
E assim as cidades mudam suas feições
Se reencontram e se perdem, se modernizam e se esquecem…
segunda-feira, 3 de junho de 2019
IDEAIS CURTAS 3
Arte de rua
Amsterdam, 05/10/2013
Porto, 31
de Maio de 2019
QUATRO
Na vida, tudo é importante e tem que ser levado a sério
Até mesmo na hora de brincar e sorrir
CINCO
A
preocupação deve existir, assim como fazemos uma refeiçãoMas todo excesso provoca indigestão
SEIS
Devemos estar o mais próximo possível daquilo que somos
SETE
A preocupação em demasia é inútil
Se o que tememos vier a ocorrer, teremos um problema para resolver
Se aquilo
que nos tira o sono não se concretizar
Perderemos
noites de bons sonhosIDEAIS CURTAS 2
Porto, 27 de Maio de 2019
UM
O ressecar da pele, o branquear dos cabelos, as rugas
A visão que deteriora, os reflexos quando se tornam mais lentos
São ensinamentos do nosso corpo que gradativamente nos vai dizendo
“Seja sábio. Viva melhor o tempo que a vida lhe oferece”.
DOIS
A morte é inevitável. Para todos os seres vivos, há uma finitude!
Muito rico, jovem ou bem velhinho, sem moedas nos bolsos, feliz ou triste
Enfurecido, ou cheio de amor no coração, a morte sempre chega
Pelo menos dentro do conceito de vida que conhecemos
Mas não custa nunca lembrar
Se ela se esquecer de mim e me deixar ficar mais um tempo por aqui
Isso me cai muito bem
TRÊS
Talvez já tenham escrito, se não exatamente igual, de forma semelhante
Viver é correr riscos
A vida é para especialistas
Museu do Design, Lisboa
29/09/2012
quarta-feira, 29 de maio de 2019
ABRAÇADOS POR UM MOMENTO
Celso
Rio, 05/07/2015
Ontem abrimos o seu armário
Estávamos juntos e distantes
Abracei seus vestidos
Sorri e sonhei
SANGUE, MERDA, CHANCE
Celso
Rio de Janeiro, 09/08/2015A Terra está sangrando
Ferida profunda
Sendo tratada numa enfermaria de guerra
Ambulatório precário
Com parcos recursos
E profissionais exaustos
Se está quase tudo uma merda
Agarro uma chance e invento um sonho
Para aguentar esse tranco, eu preciso de uma piada
Assinar:
Postagens (Atom)


