Observações
Rio de Janeiro, 13/02/2023
Rio de Janeiro, 23/07/2022
Porto, 06/04/2026
Gostas de Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Ou preferes o Renato Filipe Cardoso?
Gosto mesmo é de um suculento bife
De um bom banho quente
E de um canto calmo para dormir
Impressões, recados mal criados, desabafos, saudades soltas em palavras. Este é o meu canto que também pode ser seu. Os textos, as músicas e fotos são de autoria de Celso de Lanteuil e só poderão ser copiados e divulgados com a autorização do mesmo.
Observações
Ela e Ele
Celso de
Lanteuil
Porto, 8
de maio de 2022
Falei de amor, dos políticos e que o céu estava lindo
Eu disse que o amor remove tensões
E desfaz as dores de um sentimento ruim
Ela comentou que os políticos não faziam sentido
Que o leite havia acabado e o azeite só tinha um fio
Observei que a primavera é uma vitamina para o espirito
Ela falou que o sabão em pó terminou
E que a roupa da cama estava suja
Eu respondi que o amor é a melhor de todas as causas
Ela me disse estar preocupada com a filha
Cantarolei a minha nova canção
Ela disse que o último bife era para o nosso filho
Eu repeti o refrão, “sem amor a vida não faz caminho”
Ela insistiu, o mercado vai fechar às nove
Peguei a sacola e saí correndo e ela gritou
Não esquece da laranja! Dobrei a esquina
As árvores estavam sorrindo…
Um pássaro me pediu paciência e eu acelerei o passo
O mercado estava cheio
Fila para todos os lados
E os preços mais caros, sempre a subir
Eu cantarolei o refrão e a voz dela surgiu
Me alertando que faltava guardanapo e pão
Voltei para casa tentando concluir a canção
Outros
Eus (cdelanteuil.blogspot.com)
Celso DL
(Youtube)
Celso_dl
(Instagram)
Entre bilhões de galáxias
(31/12/2025)
Entre bilhões
de galáxias
Numa específica
galáxia
No mesmo planeta
Terra
Em um grupo
de poesia!
Abraçados por belas palavras
Cada um de vocês
E eu
Que já temos tanto...
Que tal 2026?
Ano amigo
Seja bem-vindo!
Para cada um de vocês
Ano irmã, irmão
Ano professor
Para curar qualquer dor
Um Rio em Cores
Texto feito para o Sarau Poesia Andarilha
Celebrando a primavera no Rio de Janeiro, 03/09/2025
Um Rio em Cores
A cidade
acordou em cores
Calçadas
abraçadas pelas flores
Namorados
a sorrir e cantar
Afetos soltos
no ar;
Mutantes
a passar
Como fazem
as ondas no mar
Num corre-corre
de corações
Querendo se libertar;
Passos que
parecem bailar
As árvores dizem
não ao asfalto
Elas crescem
para o céu
Trazem suas
folhas e frutos;
Flores que colorem as pessoas
Um jardim
suspenso se faz
Manacás,
quaresmeiras roxas
Ipês roxos
e amarelos
O Flamboyant
e seu vermelho-alaranjado
Trepadeiras
tropicais, cachos
da Lágrima-de-Cristo
Hibiscos,
Buganvílias
Flores da
Mata Atlântica;
Orquídeas
a inventar o paraíso
Bromélias
colorindo caminhos
Azáleas que
invadem sentimentos
Roxas, rosas,
brancas e vermelhas;
Uma estação
em cor e variados aromas
Contaminam quem por aqui passa
E fazem o
medo sorrir
E fazem a
dor colorir
Eles foram chegando
Davam as mãos
E um a um faziam a roda rodar
E cantavam cantigas
Escravos de Jó…
É noite de São João
Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Cai cai balão, cai cai balão
A diversão ganhava coro
Novas vozes, novos olhares
Atentos, curiosos
A correr, a saltar
Rostos pequenos, olhares bem
vivos
Corpos a pular, gritos atrás de uma pipa
Crianças afoitas a seguir a bolinha de sabão
A pescaria, o tiro ao alvo, a corrida do saco
Um balanço a baloiçar
Uma confusão de gente que de tanto brincar
Não viram a barba crescer
Os cabelos embranquecer
Não perceberam os seios ganharem
volume
A voz engrossar
A responsabilidade chegar
A vida se transformar em obrigação
Lá no fundo, bem no fundo
A imaginação fazia o tempo parar
A criançada seguia a acriançar
O adolescente a enamorar-se
Na profundeza de cada um, o tempo da meninice
Se brincava de ser adulto responsável, sério
E veio o tempo de dar as mãos e encostar os rostos
De pisar num chão que não era chão, era mar
Onde um violão se transformava
numa paixão
Aquele amor distante, inatingível, abraçado
Romance de cinema
Sonho de sonhador
Lá no meio da estrada, o mundo
era um coração
O desejo ingênuo, a imaginação
As primeiras festas, o primeiro beijo
Um corpo a deixar o solo que nem faz um balão
Leve, solto, sem direção
Um sorriso dono de um mundo
Uma fantasia de vida
Onde vivia e vive uma criança
Existem, existiram pais de todos os tipos e não cabe a mim julgá-los pela vida que levaram, nem pelo que foram como pais. Posso falar do pai que eu tive, do que vi, vivi, senti, daquilo que dele aprendi e recebi. Sei que é bem diferente amor de mãe e amor de pai, ainda mais quando se é latino, aquele cuja emoção ganha dimensão diante um olhar ou aperto de mão.
Meu pai foi chão, foi mar, foi ar! Trouxe um mundo de vivências dentro dele que eu cresci descobrindo cada canto na medida em que a vida via nascer. Na base aérea de Santos as primeiras memórias, os aviões no hangar, os passeios de "Jeep", a praia das tartarugas, o primeiro contato com o mar, o cheiro de gasolina dos aviões, as nuvens e hélices em movimento que me conduziram para outros destinos e que acabaram por alterar permanentemente as minhas referências, minha capacidade de imaginar, a forma de pensar e sentir o viver.
Minha infância ao lado de papai e do meu irmão, ficaram associadas a diversão, a passeios, as muitas idas na praia de Copacabana, ao futebol na areia e na sede de remo do Flamengo, nas regulares idas ao Maracanã e pelo convívio com a família, também habitual.
Papai gostava de música. Escutávamos em casa principalmente os discos de vinil do Luiz Gonzaga, Ataulfo Alves, Miltinho, Elza Soares, das orquestras Tabajara, do Benny Goodman, das trilhas sonoras clássicas do cinema americano, das canções românticas francesas e italianas que costumava tocar para os nossos avós nos almoços de final de semana, Henry nascido na França e Duilio que era italiano. Mas, foram nos desfiles das escolas de samba na avenida Rio Branco e nos bailes de carnaval dos clubes do Flamengo e da Aeronáutica, que papai nos apresentou para as tradicionais baterias das escolas de samba, as orquestras dos bailes, seus músicos e respectivos instrumentos, e ao rico repertório das inesquecíveis marchas carnavalescas.
Papai estava em nós, entrava dentro de nós num desbravar nem sempre fácil de lidar, pois tudo nele era intenso, com muitas reflexões, questionamentos, ensinamentos, alegria constante, muito afeto e sedução. Sua curiosidade em aprender, a vocação para ensinar e seu entusiasmo pela vida eram contagiantes, e assim seguiu ao longo dos tempos atuando em várias áreas. Durante o meu período mais rebelde da adolescência, ele demonstrou muita compreensão com as minhas inquietações, vontade de fazer o mundo e rebeldia, aproveitando cada momento em família para nos manter próximos.
Quando estava presente era inteiro e apoiava minhas experiências acadêmicas e esportivas. Ao optar por seguir a profissão que ele havia sido pioneiro na Força Aérea Brasileira, compartilhou seu conhecimento de aviador comigo e me ajudou a amadurecer, convívio esse que me trouxe muito aprendizado teórico e prático. Sim, papai desde quando éramos bebês, nos colocou nas cabines dos PT19, NA-T6, Regente Elo, Jatinho Paris e DC3, o icónico C-47 e foi isso que fez meu irmão e eu gostarmos de brincar de pilotos quando crianças.
Papai foi muitos em uma única pessoa e alguns desses personagens ficaram dentro de mim e ainda hoje me sacodem o corpo e me levam a voar ao seu lado para distantes destinos, escutar animadas canções, assistir os emocionantes jogos do Flamengo, estar próximo dessa gente querida que me viu crescer e tanto me amou e amei, emoções que ainda hoje me levam a cantar ao seu lado, "Tem boi na linha, tem, tem, tem. Tem boi na linha Catarina vai no trem"; "Eu vou pra Maracangalha eu vou. Eu vou de chapéu de palha eu vou. Se a Anália não quiser ir eu vou só..."; "O Rei Zulu, o Rei Zulu, não paga casa nem comida e anda nu..."; "Procurei, procurei, de lanterna na mão, procurei procurei e achei, a dona do meu coração. E agora, e agora, eu vou jogar a minha lanterna fora"; "Quando oiei a terra adentro, qual fogueira de São João"... e tantas outras canções que ainda fazem eco dentro de mim e do meu irmão.
Gostávamos de ver papai analisar o comportamento das pessoas de forma positiva e cômica, com aquele seu peculiar olhar crítico, tecer comentários sobre os personagens da politica nacional e do cotidiano, mas vê-lo contar piadas e casos da aviação era um momento de grande entretenimento para nós. Com o passar dos anos, mamãe começou a pegar no pé dele por conta das piadas que ela escutava há décadas, compreensível, piadas que hoje eu daria tudo que tenho para ouvi-lo contá-las novamente.
Ainda hoje, volta e meia escuto sua voz a cantarolar uma canção do rei do baião, de Bing Crosby, Nat King Cole ou Ataulfo Alves, hábito que tinha enquanto tomava seu banho ou fazia a barba. Em outras ocasiões vejo ele diante de mim em tom de espanto a me dizer: “Celsinho, meu filho, você não imagina como essa cidade está. Perdeu-se o respeito entre as pessoas por todos os lados que se vá!” Papai foi homem de buscar soluções, de resolver problemas, de ajudar sem nada em troca pedir, de abraçar negros, índios e nordestinos, e pelo que foi e realizou, vejo ele por todos os lados com seu dinamismo e vontade de contribuir, de socorrer as pessoas, as desconhecidas e aquelas muito próximas. Sobre seus defeitos, quem não os têm?
Arraiá Poético da Poesia Andarilha
Leblon,
08/06/2025
Uma gripe me abraçou esses dias e apertou meu corpo até imobilizar meus movimentos. Doíam ossos, músculos, me escapava a respiração, a vista escurecia, as ideias adormeciam e o corpo não conseguia sair do colchão. No dia seguinte, me sentindo melhor, fui ao “tubo” ver o Arraiá Poético da Poesia Andarilha, tentando recuperar a energia perdida, reencontrar as vozes andarilhas e saber das novidades; dos quitutes, das prendas, das tradições, das músicas festivas, da poesia em formato de saia rendada, do chapéu de palha, das rezas para Santo Antônio; e ver como esse encontro virtual celebrou a festa de São João.
E não é que a maravilha desses andarilhos que vivem contentes abraçados na escrita, nessa construção contínua que faz tradição viver, e revivem cantiga, e dançam quadrilha mesmo se diante de uma tela, uma gente que solta balão na imaginação, nos fazendo pular fogueira em pensamento e voltar no tempo com a mente e o coração.
Pessoas que gostam de bordar e colorir as praças da cidade com barraquinhas e bandeirinhas, de fazer quentão, canjica e caldinho de feijão. E, brincar de pescaria, corrida no saco, de malhar o Judas, quebrar moringa com uma venda nos olhos e morder maçã pendurada pelo barbante!
Pois não é que diante da tela do telefone coloquei minha fantasia e encontrei nas vozes andarilhas a magia das palavras que criam sonhos, celebram o viver e fazem o virtual virar emoção em forma de poesia, canto, dança, ternura e melodia. Pessoal bom esse que sabem fazer a vida acontecer mesmo quando estão bem distantes da gente.