Tentativa de fazer uma galinha colorida, 2022
ciclos NÃO naturais
Porto, 22/08/2022
Após ler os Prefácios sobre Gilberto Gil, em sua obra
Verso a Verso, Gil em Verso, Edições Quasi 2006
Eu canto
a vida que encontro
No ritmo
que o coração comanda
Atento
para saber reconhecer
As
mudanças que fazem
A vida
nascer e morrer
A força
do conhecimento
Nossas
vivências
Transformam
nossa percepção
Nos
mostram o estrago que avança
Ruína que
nasce de um consumo sem freios
Os peixes
que crescem num rio
As
árvores que filtram o ar
Fornecem
alimentos vivos
A sombra
que nos traz a paz
Uma relva
que nos massageia os pés
A chuva
que purifica a terra e o caminho
E
desconstrói tantos desequilíbrios
Esta
cegueira que a todos nos pega
Desordem
que nos destrói
Uns já
agora, outros um tempo depois
Plásticos
são compostos complexos
Avançam
pelos mares e terras
Asfixiam
por onde ficam
Resistem,
se ajustam, se infiltram
E recriam
novos ciclos
Peixes,
aves, gatos
Cavalos,
coelhos, cães
Vacas,
galinhas, porcos, ovelhas
Engolem
pedaços de plásticos
Sacolas, embalagens, potes, escovas...
O lixo
que produzimos em casa
Pode dar
a volta ao mundo
Pode
engasgar um salmão
Que
acabe no seu prato
Sua
melhor refeição
Nessa
negação que nos aprisiona
E nos faz
enxergar não mais que
Um palmo
diante de nós
Vamos
avançando
Modificando
e sendo modificados
Pensamos
ter respostas
Para
tantos desequilíbrios e perturbações
Apesar de
só enxergarmos a superfície imediata
Aquilo
que nos mostra
O primeiro
plano de uma fotografia
E seguimos
a produzir muito lixo
O consumo
da nossa história
Sem perceber
a sujeira que nos cerca
Que entranha
dentro de nós
Plastificando nossos sonhos e ideias