segunda-feira, 24 de março de 2025

deixa ENTRAR o AMOR



Serralves em Festa, 2022
Foto de arquivo


Deixa ENTRAR o AMOR
Celso de Lanteuil
Porto, 02/12/2017

Deixa entrar o amor
Abre a porta
Deixa ele se encostar  
Vai com ele 

Ele fica cantando na gente
Fica pulando pra fora
É sorriso que dança
Uma vontade que abraça

Deixa entrar o amor
Abre a porta
Deixa ele se encostar 
Vai com ele 

Ele colore o teu rosto
Também constrói boas horas
E te deixa flutuando
Compreendendo outras vozes 

Fica sorrindo por dentro
Segue dançando nas calçadas
Pensando que é o vento
Achando que é alvorada 

Deixa entrar o amor
Abre a porta
Deixa ele se encostar 
Vai com ele 

 

quinta-feira, 20 de março de 2025

Nave Terra E A difeReNÇa


Arte Urbana de Heitor Corrêa
Galeria Circus Network, Porto
@heitorcorreaart


Nave Terra e a Diferença
Celso de Lanteuil
Porto, 18/10/2017

A gente briga
A gente explode
E se irrita
Porque entende
Que a vida é 
Como a gente sente 

A gente fala
Aquilo que acha
E não percebe
A diferença
Um imenso Cosmos 
De sentimentos 

E a nave terra
Segue com a gente 
Essa gente da terra 
Tão diferente e a gente grita 
Porque não compreende 
A diferença


 


segunda-feira, 3 de março de 2025

Em terra SEM LEI, o diabo é Santo

Artistas de rua aquecem os dedos 
Eles nos ajudam a esquecer nossos medos
Fotografia feita de um celular, com autorização dos músicos


Em terra SEM LEI, o diabo é Santo
Sobre manipulação e aceitação
Porto, 24/02/2025

Atualmente
Um vídeo editado 
Hábito corriqueiro
Induz o observador ao erro;

Que aceita a calúnia, a injúria
A difamação, uma infração mentirosa
Na sociedade que produz ignorância
Violência, corrupção, miséria, medo;

Uma subnutrição que cresce
O trabalho infantil que vira rotina
Estatísticas da educação
Que as tecnologias de ponta escondem;

Notórios crônicos problemas
Gestores públicos fazendo mal ao Brasil
O eterno país do amanhã
Do futuro promissor que nunca chega;

Terra onde o egoísmo aprisiona
E as injustiças proliferam
Onde abunda a precária cidadania
A angústia de um povo trabalhador;

Na busca de uma realidade mais humana
Um poder ir e voltar para casa sem medo
Acho melhor eu parar por aqui
Porque poucos querem falar de espelhos... 


Um poder, ir e voltar para casa sem medo
Mas é melhor eu parar por aqui
Porque poucos querem falar dessas coisas...

 

 

Um poder, ir e voltar para casa sem medo
Mas é melhor eu parar por aqui
Porque poucos querem falar dessas coisas...

Um poder, ir e voltar para casa sem medo
Mas é melhor eu parar por aqui
Porque poucos querem falar dessas coisas...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025


 mudanças E pensamentos

Um amigo improvável que foi ficando por aqui desde a pandemia
Ele vai e volta. Vai e volta, 2022


mudanças E pensamentos
Celso de Lanteuil
22 de Junho de 2011, revisitado em 13/11/2022
Nestes 11 anos, poucas coisas mudaram na sua essência

O Sol parou de iluminar, novos geradores assumiram suas funções
O Sol não está mais lá. Não precisamos mais do Sol na nossa estação Terra
Muitas vozes silenciaram. Muitos smartphones falam por elas
A moça bonita acredita que enfeiou
O buraco na calçada aumentou de tamanho e engole gente

Inventaram uma nova arma
É a morte cirúrgica, feita c
om precisão
Mata no local e hora exata
Quem mata, pode estar a quilômetros de distância
É o progresso! Fecharam mais duas livrarias...

Vacas em greve não produzem leite!
Uma das cordas da guitarra arrebentou 
A seletividade aumenta
Meu amigo voltou a fumar, bom para quem vende cigarros
Ele fuma e anda, fala e fuma, fuma e bebe, come e fuma

Toneladas de peixes pararam de nadar. Estão nas redes
Ela continua a me olhar do mesmo modo que sempre me olhou
Me dá a mão e me beija do mesmo jeito
Reclama das mesmas coisas e com razão
Eu sou pedra, sou ave, sou nuvem, sou rio, sou mar

Fico bem onde estou, mas gosto das estrelas
Nós temos um super gerador no lugar do Sol
Uma voz canta 
É a moça feia que descobriu sua beleza
Ninguém tampa o buraco da calçada

Uma vaca furou a greve e deu leite. Está no Twitter 
Algumas crianças estão sendo crianças
Outras tem uma pistola nas mãos
Uns poucos adolescentes ainda podem ser adolescentes
A justiça autoriza

Alguns adultos seguem sendo adolescentes
Outros não passam de crianças
As minas das guerras de Angola, do Afeganistão, da Síria, da Ucrânia
As minas das guerras que virão
As minas esquecidas, decepam muitos sonhos 

O circo chegou. O palhaço chora e a audiência ri!
Um jardim com flores de plástico enfeita a paisagem
O espelho não reproduz sua imagem e você nada percebe
Suas palavras e ideias são observadas atentamente
Não faltam juízes a espreitar, tempos de fofocas digitais

O mundo rapidamente diminui de tamanho. O monitoramento aumenta
Robôs divulgam boatos. 
Eu tenho um controle nas mãos
Penso que escolho o que leio, como, bebo, canto, sinto 
Nas midias sociais, grupos interpretam os meus algoritmos
Dentro deste enorme labirinto, penso ser livre

sábado, 18 de janeiro de 2025

ciclos NÃO naturais

Tentativa de fazer uma galinha colorida, 2022
    

ciclos NÃO naturais
Porto, 22/08/2022
Após ler os Prefácios sobre Gilberto Gil, em sua obra 
Verso a Verso, Gil em Verso, Edições Quasi 2006

Eu canto a vida que encontro
No ritmo que o coração comanda
Atento para saber reconhecer
As mudanças que fazem
A vida nascer e morrer

A força do conhecimento
Nossas vivências
Transformam nossa percepção
Nos mostram o estrago que avança
Ruína que nasce de um consumo sem freios 

Os peixes que crescem num rio
As árvores que filtram o ar
Fornecem alimentos vivos
A sombra que nos traz a paz
Uma relva que nos massageia os pés

A chuva que purifica a terra e o caminho
E desconstrói tantos desequilíbrios
Esta cegueira que a todos nos pega
Desordem que nos destrói
Uns já agora, outros um tempo depois 

Plásticos são compostos complexos
Avançam pelos mares e terras
Asfixiam por onde ficam
Resistem, se ajustam, se infiltram
E recriam novos ciclos

Peixes, aves, gatos
Cavalos, coelhos, cães
Vacas, galinhas, porcos, ovelhas
Engolem pedaços de plásticos
Sacolas, embalagens, potes, escovas...

O lixo que produzimos em casa
Pode dar a volta ao mundo
Pode engasgar um salmão
Que acabe no seu prato
Sua melhor refeição

Nessa negação que nos aprisiona
E nos faz enxergar não mais que
Um palmo diante de nós
Vamos avançando
Modificando e sendo modificados

Pensamos ter respostas
Para tantos desequilíbrios e perturbações
Apesar de só enxergarmos a superfície imediata
Aquilo que nos mostra
O primeiro plano de uma fotografia

E seguimos a produzir muito lixo
O consumo da nossa história
Sem perceber a sujeira que nos cerca
Que entranha dentro de nós
Plastificando nossos sonhos e ideias











segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Houve um Tempo

Praia do Flamengo, uma parada para matar a sede
Rio de Janeiro, maio de 2024

Houve um Tempo
Porto, 22 de maio de 2024

Houve um tempo
Um tempo distante
Quando as noites
Eram mais importantes que os dias
O que eu procurava
Pensava eu, então um jovem
Que naquelas noites encontraria
Ainda não sabia
Que o tempo da procura
Nunca termina
E que a busca se faz
Tanto na noite como no dia


 

domingo, 22 de setembro de 2024

 

Feira do livro do Porto, quando ainda no pavilhão Rosa Mota


Trecho do conto Mestra e Sala

Lembrou-se da mania do pai de matar moscas na hora das refeições. Na época, ainda criança, assistia-o persegui-las com determinação, sempre que sobrevoavam a mesa. Sua mãe nunca se habituou à mania do marido, que, além dessa obsessão, tinha o hábito de guardar as moscas mortas numa caixa de sapatos. 

Suas práticas esquisitas iam além. Costumava juntar moscas vivas em recipientes de vidro para observá-las, enquanto fazia as refeições, momentos em que seu espírito incontrolável encontrava alguma paz. Em transe e fascinado, observava as moscas prisioneiras batendo no lado interno do recipiente, tentando, repetidamente, sair voando. 

A mãe de Suzana aprendeu a se conter. Retraindo-se, aceitava o vício do marido à base de muitos calmantes que se habituara a ingerir. Suzana desenvolveu asco do pai e pena da mãe, e ganhou o hábito de matar moscas como o pai e ingerir pílulas como a mãe. 

A história dos pais de Suzana foi manchete nos jornais. Sua mãe morreu em decorrência da falência do coração devido à mistura de medicamentos. A notoriedade da notícia não foi pela morte propriamente dita, mas pelo que se descobriu na visita do médico legista. Ao derrubar algumas das muitas caixas de sapatos empilhadas ao redor da cama, viu a estranha coleção de milhares de moscas guardadas no quarto do casal. Foi essa história bizarra que circulou nos principais jornais e chocou a população carioca. O resultado de tanta polêmica fora a internação do pai de Suzana num hospital psiquiátrico do município, onde se encontra até hoje. Ficou conhecido como O Colecionador.