sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Arraiá Poético da Poesia Andarilha


Artista @SR.MAYA7 (15/09/2024) 
traz sua arte para o cotidiano das pessoas
Boca do Lobo, galeria que conecta a rua Santa Clara com a praça Edmundo Bitencourt, mais conhecida como praça do Bairro Peixoto, localidades onde passei grande parte dos meus mágicos anos entre a infância e primeiros anos da fase adulta

Arraiá Poético da Poesia Andarilha
Leblon, 08/06/2025

Uma gripe me abraçou esses dias e apertou meu corpo até imobilizar meus movimentos. Doíam ossos, músculos, me escapava a respiração, a vista escurecia, as ideias adormeciam e o corpo não conseguia sair do colchão. No dia seguinte, me sentindo melhor, fui ao “tubo” ver o Arraiá Poético da Poesia Andarilha, tentando recuperar a energia perdida, reencontrar as vozes andarilhas e saber das novidades; dos quitutes, das prendas, das tradições, das músicas festivas, da poesia em formato de saia rendada, do chapéu de palha, das rezas para Santo Antônio; e ver como esse encontro virtual celebrou a festa de São João. 

E não é que a maravilha desses andarilhos que vivem contentes abraçados na escrita, nessa construção contínua que faz tradição viver, e revivem cantiga, e dançam quadrilha mesmo se diante de uma tela, uma gente que solta balão na imaginação, nos fazendo pular fogueira em pensamento e voltar no tempo com a mente e o coração. 

Pessoas que gostam de bordar e colorir as praças da cidade com barraquinhas e bandeirinhas, de fazer quentão, canjica e caldinho de feijão. E, brincar de pescaria, corrida no saco, de malhar o Judas, quebrar moringa com uma venda nos olhos e morder maçã pendurada pelo barbante! 

Pois não é que diante da tela do telefone coloquei minha fantasia e encontrei nas vozes andarilhas a magia das palavras que criam sonhos, celebram o viver e fazem o virtual virar emoção em forma de poesia, canto, dança, ternura e melodia. Pessoal bom esse que sabem fazer a vida acontecer mesmo quando estão bem distantes da gente.  















terça-feira, 12 de agosto de 2025

Para o amigo Savinho

Arquivo pessoal. Foto de celular 
Foz Velha, Porto 2025

Algumas palavras que eu precisava dizer
Resende, 12 de agosto de 2025

A falência de uma grande companhia, como aconteceu no caso da Varig, não desapareceu apenas com uma das mais antigas empresas de aviação do planeta. Além de afetar a vida econômica do Brasil em muitos aspectos, ao desconstruir uma complexa atividade de negócios cujos efeitos ainda hoje se observam no transporte aéreo do país, revelou seu lado perverso com o não pagamento das indenizações trabalhistas e previdenciárias de seus funcionários até a presente data, e já se passaram 19 anos! A falência dessa intangível marca também destruiu uma densa rede de relacionamentos, onde as características comportamentais de cada pessoa tinha um peso e importância na cultura social de diversos ambientes de trabalho que constituíam o grupo Varig. 

Assim aconteceu no caso dos aviadores, categoria de profissionais que muito aprendem com seus próprios erros, que na troca de experiências operacionais nos faz melhor preparados e próximos, muitas vezes íntimos ao vivenciar situações não normais em voo, emergências mais complexas, num ambiente de trabalho favorável a criação de laços afetivos que ultrapassam fronteiras e perduram mesmo com a distância que o viver constrói.

E assim foi para o amigo Comandante Domingos Savio Barreto de Andrade Junior, o nosso Savinho, o amante de uma das mais lindas profissões que ambos tivemos a oportunidade de compartilhar. Conheci o Savio quando éramos copilotos em meados dos anos 80, encontro que aconteceu na cabine de um Boeing 737-200 da Cruzeiro do Sul, na época já incorporada pela Varig. Eu seguia como “tripulante extra” retornando de um voo para casa e assisti Savio executar com precisão a aproximação Charlie 2 para pouso na cabeceira 15, no antigo aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro. Naquele momento percebi seu entusiasmo pelos aviões que era contagiante e logo nos fizemos próximos. Savio era muito educado e pude constatar ser uma pessoa que gostava de se comunicar e fazer amigos. Com a criação do Aerus, Instituto de Seguridade Social, muito dos pilotos então ativos puderam se aposentar mais cedo com a ajuda dessa complementação salarial e como consequência, a carreira dos pilotos mais jovens ganhou um grande impulso, nosso caso. 

Em inúmeras ocasiões Savinho e eu estivemos juntos, e em pouco tempo como comandantes em encontros corriqueiros nos DOs (Despachos Operacionais), em pernoites pelo Brasil e terras estrangeiras, durante a troca de aviões, no prédio da Varig localizado na área do aeroporto Santos Dumont, em salas de aula no CTO da Ilha do Governador (Centro de Treinamento Operacional), nas assembleias do sindicato (SNA) e da Associação de Pilotos (APVAR) quando trocávamos impressões e dividíamos nossas apreensões, como aconteceu em algumas greves da categoria, na parada da instrução de voo e no acidente do VMK, ocasião em que ele tentou ajudar os tripulantes daquele voo com trágico desfecho, realizando trocas de mensagens via rádio entre eles e o órgão de tráfego aéreo mais próximo ao qual mantinha contato e a outra tripulação não. Mas, foi na crise do FAD (Fundo de Auxilio Desemprego do SNA) que resultou na perda das nossas reservas de poupanças e prejuízo para a maioria dos seus associados, que nos aproximamos ainda mais ao fazer parte da comissão eleita pela categoria para ajudar na reestruturação daquele fundo.

Savinho viveu para servir a esposa Marisa e suas duas filhas que tanto amou. Elas eram sua principal bússola. Também deu o seu melhor para a aviação e cuidou dos seus cães como filhos. Segundo me contou, nas suas folgas gostava de assistir um filme em ambiente bem refrigerado, congelante para muitos de nós pois sentia muito calor. Era fã do cineasta George Lucas e das “sagas” Star Wars” e “Star Trek”, e adorava o personagem “Senhor Spock”, nome que acabou por colocar em um dos seus cães, “filhos”, como se referia ao Spock Savio Terceiro e demais. Em uma viagem de trabalho que fiz com o amigo Cmte Jorge Calvet para Miami, ele nos surpreendeu acompanhado de um copiloto de 767 que infelizmente não me recordo o nome, ambos viajando como passageiros GC, passagem de “cortesia sujeito a espaço”, para assistir ao lançamento de um dos filmes da série Guerra nas Estrelas. Segundo Savio, tripulação escolhida por ele após consultar a escala, surpresa que muito nos agradou. Acabei por acompanhá-los naquela viagem cinematográfica repleta de efeitos especiais, personagens exóticos e temas filosóficos como os embates entre o lado da luz e o das trevas, liberdade versus repressão, e sobre a redenção, assuntos que ele tanto prezava. Falar do Savinho é uma oportunidade para se celebrar a vida de alguém que nos ofereceu muitos sorrisos, muitas agradáveis memórias, é lembrar de um amigo “ingênuo” como muitos de nós poderíamos ter sido. Savinho viveu para ajudar, para servir, amar e compartilhar boas memórias. O vídeo em sua homenagem que as filhas lhe presentearam quando guardou suas asas no hangar da vida, lhe causou grande orgulho e sentimento de reconhecimento. Savinho cumpriu muito bem sua jornada entre nuvens e estrelas, nascer e por do sol, e o amor que transportava lhe permitiu cruzar em melhores condições as tempestades da vida. Ficaram as boas lembranças e sua pureza, imagens que guardo do querido Savio.  

 

terça-feira, 15 de julho de 2025


Pen Sa men tos s o l t o s

 
Um Sapo Sábio
Pintura do talentoso Heitor Corrêa

Pen Sa men tos s o l t o s

Sonhando acordado (01/09/2024)
Sonhador que sou, vejo meus sonhos passarem;

Polaridade (14/09/2024)
E a polaridade não para de crescer 
E aquilo que é preciso ver ninguém vê

Na falta de... (11/12/2024)
A ausência de uma boa opção
Torna o mais ou menos uma escolha
Na falta de um mais ou menos
Pode-se abraçar o menos ruim
E este princípio
Pode nos levar a deitar com o nosso
Inimigo

Fatos rasos, Pinguim Café, 30/12/2024 
Com essa vida apressada
As covas ficaram rasas
As ejaculações precoces
Estão ainda mais precoces
Os sorrisos economizados
Curtos, corridos
Os abraços pela metade
Breve calor
As vozes velozes
As histórias encurtadas
Os textos mínimos
Porque a pressa aperta
E não espera
Até os sonhos correm
E vão ficando diminutos... 

Um imigrante, 31/03/2025
Um imigrante
Ou se fortalece
Ou desaparece;


 



 

quarta-feira, 9 de julho de 2025


Um PenSaDOR minimalista e seu Haiku fora da regra

 Um amigo que quer estar junto
maio de 2025

Um PenSaDOR minimalista e seu Haiku fora da regra!
(Haicai na lingua portuguesa)
Resende, dias seis e sete de julho de 2025

A ideologia sufoca a imaginação;

Pegadas pelo caminho
Vários amigos
Pedaços de mim; 

A vida é como água
Água de rio que seca
De repente, a última gota;

O sabor é agora
Natural é a prova
O momento é seu;

Quem não entende?
Sou eu, o ignorante
Só sei copiar e repetir;

Morrer, todos iremos
Aceito bem esse “The End”
Mas sindicato de mortos, não!

No espelho
As minhas máscaras
Querem protagonismo; 

A obra-prima
Em lábios, cabelos e quadril
Sorriu pra mim;

Três em um. Obsceno na postura
Indecente na fala
Lascivo no compromisso;

A realidade não faz cerimônias
Joga sujo, faz covardia
Trapaceia, corrompe e mata;

Há doutores e doutores
Uns buscam a cura
Outros tratam das dores;  

A alegria só existe
Por causa da tristeza
Que por vezes cansa de ser protagonista …

Pensamentos Soltos


Ainda tentando fazer uma galinha...
 
Pensamentos Soltos, de 29/05 a 24/06/2025
O pássaro arranhou a voz
Excesso de CO2;

Quantas vezes a chuva foi o meu palco;

No momento da fotografia ela comentou que o sorriso franco provoca rugas, 
"é melhor contê-lo", disse.
Eu e a minha cara cheia de marcas, abri a boca e mostrei os dentes.
O que custa uma ruga para valer mais que um sorriso? 

Brinquei de viver até onde deu
Agora vai ser pra valer
Brincadeira de terceira idade;

O pássaro da cidade grande, com crise de bronquite crônica
Sem plano de saúde e receita médica
Compreendeu o drama do sem-abrigo;

Leva-se tempo para desenvolver a imaginação livre
E, é preciso ser ousado
Para se conseguir voar
De inúmeras maneiras; 

O cão latiu
E eu entendi 
Que ele queria companhia;

Nem toda hora é tempo
Algumas são passagens
Paisagens, descanso, vento
Pássaro em movimento;

Minha validade está marcada
E não se aceita trocas...


segunda-feira, 12 de maio de 2025


Para Bituca


Dedicatória de Milton Nascimento no seu LP histórico 
Milton seguia para Caracas num voo da Varig, para o relançamento do seu primeiro disco 
Acompanhou parte do voo na cabine (outros tempos), quando me deu este lindo presente
Trecho para Maiquetia num Boeing 767-300 que saiu do Rio e passou por Guarulhos
O comandante do voo e amigo, era o Paulo Duarte
Meu instrutor na adaptação ao 767 para a função de comandante. 
Bons tempos, 15 de novembro de 1991!

PARA BITUCA (31/01/2025)

Milton, canção tijucana
Nascimento pão de queijo
Entre melodias cheias de Marias
Cruzando estradas, jeito faceiro;

Trem bom esse, pés na terra, canto nas calçadas
Café, tutu, couve, torresmo
Faca bem amolada, feição de brasileiro
Bituca da América do Sul, travessia de morro velho;

Feito de timbres e afetos
Marcas e temperos nacionais
Luz inspirando o amanhã
Milton pedaço de mim, parte de nós;

Canto que voa alto e nada será como antes
 
Festivais, vin
is, concertos, canções
Nos bares da vida, nas esquinas
Em partidas e despedidas;

Para cada harmonia
Novas estações 
Dissolvendo tensões, partindo grilhões
Ventres livres de calvário e cativeiros;

Milton é Nascimento, peito aberto, voz nas estradas
Atravessando capitais, terras distantes
Travessia sem pressa, jeito mineiro
Trem bom, sim senhora, sim senhor;

Circulando a criar redes, palavras de irmão
Ele caçador de si, mensageiro da paz e do amor
Bituca, artista da poesia
Coração das Minas Gerais, chega aonde o povo vai  

Homenagem a Milton Nascimento 
Texto selecionado no concurso 17ª FLIST- CEAT
Feira do Livro de Santa Tereza, 17-18/05/2025
Publicado nessa edição especial da revista Philos

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Preciso me Revelar

PZC Porto Zine Club #4
Incrível Ilustração de Heitor Corrêa (heitorcorreaart)
Mais uma parceria, sorte a minha

Preciso me Revelar
Texto de Celso de Lanteuil 
Porto, 08/02/2025
celso_dl (Instagram)
Celso DL (Youtube)

Eu quero te dizer, preciso me revelar
Falar das minhas estradas
Da minha revolução
Do samba que me carrega
Do rock que me salvou
Das vozes que me transportam
Da lua que me inspirou;
 

Eu quero te dizer muitas vezes
Para que você possa 
Melhor me compreender
Das malas que transportei
Dos sonhos que nelas trouxe e levei
Das amizades que fiz
Dos amigos que não mais estão por aqui; 

Preciso te dizer que vale a pena
Que nada é pouco ou pequeno
Tudo e todos que nos rodeiam são uma boa razão
E, se do passado nada se muda 
E o amanhã é uma possibilidade
O agora é o nosso momento
Movimento de renascimento e libertação…